(Fotografia reproduzida por Krugman no seu substack. 1976, missão no Banco de Portugal: Miguel Beleza, Jeff Frankel, Andy Abel e Paul Krugman. O espírito da época está bem presente no vestuário dos quatro promissores jovens economistas)
(Adiada por uma daquelas tempestades americanas que só a imbecilidade do movimento MAGA consegue replicar, a intervenção de Trump na comemoração do 250º aniversário dos EUA revelou bem como o futuro americano é sombrio. Só faltou invocar a ideia de que as criancinhas americanas se acautelem, pois os comunistas estão por aí esfomeados, relembrando as trevas do macartismo que varreu a América no passado. Uma leitura política mais atenta da reemergência anacrónica do anticomunismo mais primário no discurso de Trump mostra que tal deriva é típica de quem está na mó de baixo, mas que visa preparar o ataque à ala mais à esquerda dos Democratas, recentemente vitoriosa em algumas disputas locais, laborando na mais ampla confusão do modo mais deliberado possível. Invocando a comemoração do 200º aniversário, Paul Krugman recorda nessa data a sua estadia em Lisboa, inserido numa equipa de jovens economistas do MIT que trabalharam então no Banco de Portugal, dois anos depois do 25 de abril de 1974. Cito os dois últimos parágrafos dessa crónica recente, pois ela evidencia bem o que pensa um democrata liberal de toda esta deriva negra que paira sobre a nação americana, sem que se vislumbre uma hipótese segura de devolver Trump, o MAGA e toda a série de lunáticos que abriga as suas ideias à irrelevância.)
“(…) Nas vésperas da comemoração do 250º aniversário dos EUA, tivemos a confirmação da corrupção presidencial a uma escaça que Nixou nunca poderia ter imaginado possível. É má em si propria. Mas o que é pior +e que ninguém acredita que haverá consequências para Trump, os seus mais próximos e os seus capangas. Em 1974, os Republicanos juntaram-se aos Democratas para assegurar que Nixon seria responsabilizado. Hoje, investiram no alargamento do poder de Trump e no seu culto de personalidade, apesar de saberem perfeitamente quem ele é e o que está a fazer.
Não vou perder a Esperança. A América não está irreversivelmente perdida. Mas hoje, mais do que há 50 anos, somos uma nação em busca desesperadamente de redenção”.
Tudo isto é perturbador e é-o tanto mais quanto a democracia parece incapaz de dar origem a caminhos diversos, gerando movimentos que suplantem a onda do populismo mais extremistas, depois de ter sido à luz desse enquadramento que as derivas se instalaram no poder.

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