(Andrés Rábago García, “El Roto”, http://elpais.com)
A abrir Julho e um Verão que se augura escaldante, recorro à criatividade de uma das nossas inspirações mais duradouras e consistentes (El Roto) para pôr em evidência a crescente exuberância da mentira enquanto continuidade mais irremediável destes intricados tempos que vivemos.
Redes sociais e fake news a comandarem os quotidianos do homem comum e a ditarem as escolhas dos poderosos aos quais se impõe uma prestação de contas que sabem fingir quase admiravelmente, análise de dados complexos e inteligência artificial em alastramento exponencial a baralharem as rotinas ativas e passivas do ensino e a estabilidade e conteúdo das profissões e da vida empresarial, confrontos geopolíticos em formato absolutamente descontrolado por lideranças narcísicas, tresloucadas e promotoras de belicismos bárbaros a anunciarem o risco de uma qualquer espécie de regresso às cavernas após uma prosperidade arduamente conquistada e que se prometia garantida.
Reconhecendo ser este um momento de alerta que se tornou demasiado repetitivo porque seguramente pouco capacitado no sentido de produzir consequências reais ajustadas a uma perspetiva de salvaguarda do bem comum, importa também ver nele um reparo que acaba por se constituir no ensejo possível para valorizar o exclusivo reduto de lucidez ao alcance dos cidadãos vigilantes e angustiados perante a alienante e sinistra perversão de maiorias letradas e iletradas que permanecem alheias à tempestade (e ao caos) que não veem nem antecipam em irrupção no horizonte.




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