Uma pequena e simples ilustração de como por cá também abundam os al revés que cada vez mais dão prova de pressentidas limitações de leitura política, de exibições de falta de coerência temporal e de atitudes e opções estranhamente atiradas para o caixote do lixo da história. O caso de hoje, associado à questão das “acampadas” de Lisboa e Porto e às cargas policiais ocorridas contra esses protestos pacíficos, mostra-nos um ex-líder da JSD e ex-candidato à liderança do PSD (atualmente desligado da atividade politica quotidiana) a expressar publicamente a sua opinião no sentido de tais factos serem injustificáveis e constituírem um “tremendo erro dos decisores” e algo de que “se alimenta o populismo, a radicalização e a descrença na política”, ao mesmo tempo que nos traz um ex-militante do PCP e ex-eurodeputado do PS, octogenário e constitucionalmente responsável em termos máximos, a falar-nos de “ocupação selvagem” ilegal (ou “aventureirismo insufragável”) e a defender a intervenção policial (com a devida salvaguarda da proporcionalidade dos meios, também era o que mais faltava!), em nome de uma incompatibilidade de se colocarem tendas numa praça pública com o “regime do domínio público de uso comum”. Mas já estamos quase todos loucos ou, havendo quem tenha ganho a capacidade de interpretar o seu entorno à luz da velha ideia de uma “análise concreta da situação concreta” (ademais se a mesma procurar ser objetiva e desligada de interesses particulares ou partidários), há quem queira parecer crescentemente tocado/encantado pelos desvarios do entorno e pelo relativismo das convicções?
terça-feira, 27 de outubro de 2026
ATÉ NO NOSSO MUNDINHO...
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