Ontem à noite cometi novamente um erro que insisto em tornar recorrente: o de acreditar no interesse histórico do direto e assim entrar pela madrugada dentro para assistir a um debate televisivo, no caso o das presidenciais brasileiras entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro – resultado: um verdadeiro flop! O primeiro é um político cheio de experiência e obra mas que agora vai mostrando cada vez mais que a predominância do recurso à ronha se esboroa inapelavelmente com o tempo; o segundo é um trapaceiro puro que afirma e promete tudo e o seu contrário sem cuidar de qualquer intencionalidade ou sentido. Pelo que chegou mesmo a ser doloroso observar aquele debate vazio (porque nem as escassas afirmações de índole programática continham mínimos de coerência e rigor capazes de poderem ser encaradas a sério) e estritamente acusatório no plano pessoal, familiar e político-partidário. Como pode continuar a ser uma sina inultrapassável, num país com o gigantesco potencial do Brasil, que a escolha do seu grande responsável presidencial redunde numa espécie de redução ao absurdo, ou seja, em sucessivas demonstrações demagogicamente tentadas por um e outro dos lados de que o outro é pior? Para quando a recusa de um mal menor e a mobilização de uma sociedade rica e plena de energia em prol de uma defesa lógica e estruturada das suas gentes e dos seus interesses? Acorda Brasil!



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