domingo, 11 de outubro de 2026

UM APONTAMENTO SOBRE O COMPORTAMENTO COMPARADO DA NOSSA OFERTA DE HABITAÇÃO

(Elaboração própria a partir de https://data-explorer.oecd.org) 

O problema da habitação está mais do que na ordem do dia das sociedades atuais, ele começa a tornar-se mesmo um dos mais claros game changers que estão em jogo. Venho formando sobre o tema algum pensamento estruturado em torno de leituras de autores competentes e credíveis e de decisores independentes e sérios, mas ainda não é tempo de penetrar na sua imensa e ruidosa densidade. Fiz, no entanto, um pequeno exercício que talvez nos ajude a encontrar alguma pista não negligenciável no tocante ao caso português: peguei numa série longa (40 anos) relativa ao número de fogos construídos anualmente num conjunto de 12 países europeus (optei aqui pelos de dimensão mais comparável à nossa, apenas com o acrescento da Espanha por razões várias e óbvias) – resultou o gráfico acima que evidencia, a olho nu e sem cuidar detalhes, quanto os três países da Europa do Sul considerados (Portugal, Espanha e Grécia) se posicionavam notoriamente acima da maioria dos restantes até à crise de 2008 e passaram a surgir em lugares de cauda desde então, determinando um agravamento em sede de oferta nova de habitação (não farei, por ora, apreciações subjetivas ou politicamente normativas sobre o facto).

 

Abaixo, um outro gráfico ajuda a completar o anterior ao comparar dois grandes períodos de vinte anos subdivididos por décadas (1996 a 2005 e 2006 a 2025), assim desconsiderando tentações de análise político-partidária mais ou menos imediata. O que se observa, indo naturalmente naquele mesmo sentido, é que Grécia, Espanha e Portugal (por esta ordem) foram os países da amostra que, a seguir à liderante Irlanda, mais construíram per capita no primeiro vinténio e passaram a situar-se abaixo da média no vinténio mais recente, com Portugal a ocupar um especialmente modesto penúltimo lugar no seio do conjunto sob análise. Diga-se o que se disser, e com todas as atenuantes macroeconómicas devidamente tidas em conta, a verdade é que houve mesmo muita distração e escassíssima proficiência nas políticas públicas que por aí foram sendo praticadas...

(Elaboração própria a partir de https://data-explorer.oecd.org)

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