sábado, 17 de outubro de 2026

E A MIOPIA DESTA EUROPA?

Os cidadãos mais atentos e preocupados com a situação internacional que nos envolve tendem a encher a boca com referências ao que a Europa poderia ou deveria fazer no contexto. A intenção é sem dúvida a melhor mas a minha pergunta subsiste a de sempre de há alguns anos a esta parte: mas o que é a Europa? A quem nos estamos a dirigir? Que lideranças podem protagonizar tais caminhos eventuais de solução? Pois aí me chegou ontem uma ilustração cabal do impasse que nos inibe: duas primeiro-ministras, uma social-democrata e outra populista, uma do Norte e outra do Sul, a partilharem posições comuns quanto ao problema maior da imigração no Continente e, à boleia, a atirarem-se sem cerimónias a um presidente do governo espanhol que insiste em não ceder perante o facilitismo nacionalista com que a larga maioria dos seus pares julgam encontrar caminhos para a dita Europa. Haverá mesmo equilíbrios alcançáveis entre nações que apresentam respostas específicas e autocentradas a um problema de enorme complexidade, ademais pontuado por poderes assimétricos que ninguém pretende (ou pode) objetivamente minorar ou contornar? E existirá algo de esperançoso, seja em termos de arquitetura substantiva seja em termos de exequibilidade prática, no ensaio de vias de natureza federalista como as que a argumentação de Draghi e de outros “homens bons” nos coloca num horizonte que aponta para uma espécie de última instância dos possíveis?

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