Isto é que vai por aí uma crise extensa e nunca vista neste nosso desorientado País! E o tema é digno da dita desorientação... Com efeito, chegado a selecionador o homem que Kelvin ajoelhou no Dragão, e que entretanto fora fazer o seu tirocínio no Flamengo e na Arábia Saudita (aprendendo ao mesmo tempo o hino nacional TODO!), eis que um CR7 confiante na continuidade (de Martínez e Fernando Santos) se deparou, afinal, com alguém à altura de desconstruir as suas atuais verdades, mais feitas de história (muita e por demais prestigiante para Portugal e construída à custa de um profissionalismo exemplar) e de uma dimensão financeira não despicienda para diversas partes (Pedro Proença incluído – veja-se o “Expresso” de hoje, onde se titula “Ronaldo deixou Federação com problemas de milhões”) do que de uma capacidade minimamente aceitável de prestação em campo.
Daniel Oliveira explica bem a situação nas páginas do “Expresso” de hoje quando refere que todos os heróis transformados em semideuses “acabam em tristes caricaturas de si mesmos”. O que se me torna incompreensível é que haja tantos e tantos portugueses (muitos até estimáveis) que consigam confundir o lado objetivo do problema surgido com a qualidade ímpar do atleta ao longo de toda uma carreira e com o inquestionável reconhecimento que Portugal deve ter para com “o Cris” (há aqui algo do tipo do que ocorreu a tantos portistas em relação a Jorge Nuno Pinto da Costa) – achará esta gente que vamos a algum sítio, desportivamente falando, a jogar com dez a correr e uma vedeta parada do meio para a frente do terreno e sempre pronta a falhar todos os pontapés de livre que surgirem e a concretizar os penáltis que forem caindo?
Claro que Jesus também é um narcisista e alguém que peca por ser demasiado cheio de si. Além de possuidor de toques excessivos de burgesso, por vezes inqualificáveis em termos de ignorância, má-criação ou arrogância... Não obstante, é indesmentível que foi ele quem teve a coragem de decidir pela sua cabeça e de sentar CR7 no banco de suplentes. Daí a infografia que circula nas redes sociais, e que subscrevo integralmente, parodiando uma palavra de ordem de revolucionários tempos idos: “30 de Setembro Sempre! Ronaldismo Nunca Mais!”. Acresce que a atitude de prima donnado jogador, amuando, abandonando o hotel da seleção e partindo sozinho para o seu ninho de Madrid, mostrou à saciedade uma débil formação moral e ética e o quanto na realidade é desrespeitador da imagem e dos interesses nacionais (ao invés do que faz em relação à Arábia Saudita de que é um assalariado de luxo e para a qual se presta a manifestações de mau gosto pesetero como aquela que tristemente exibiu na Casa Branca). Tudo com a agravante de uma exibição categórica em Copenhaga da “equipa das quinas” já descontada do contributo de CR7 (atente-se no título de “O Jogo” ao referir um coletivo de “união, nervo e talento”, sintetizado num feliz CR11).
A pergunta que sobra, quiçá pouco portadora de esperança, é a seguinte: estará o “caldo” definitivamente estragado ou ainda haverá por aí algum Jorge Mendes, algum Montenegro, algum Seguro ou alguma Dona Dolores que possam ajudar a pôr aquela cristiana cabeça feita num oito num mood menos depreciativo para si próprio e para a reputação que soube granjear a ponto de se ter transformado num embaixador nacional?





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