As eleições de ontem em Israel ainda estão em fase de contagem dos votos, mas as indicações existentes já permitem retirar algumas conclusões: (i) a despeito de todos os seus desmandos (corrupção e crimes de guerra), Benjamin Netanyahu poderá ter perdido a maioria absoluta mas sobreviveu e ainda pode vir a pesar na dinâmica política do país – uma demonstração do gigantismo do trauma nacional que decorreu do 7 de outubro de 2023, bem como da habilidade e resiliência do atual primeiro-ministro no xadrez político (mesmo que ao comando de um “eixo do mal” sem escrúpulos e que tanto desacreditou a imagem de Israel no mundo); (ii) o principal opositor Gadi Eisenkot, liderando sem grande carisma o “Yashar”, terá ficado em condições de disputar mano-a-mano o lugar de primeiro-ministro mas a sua situação objetiva é complexa na medida em que dependerá de negociações árduas e de resultados muito incertos (especialmente com os partidos árabes); (iii) estas forças terão sido aquelas que maior vencimento obtiveram ao passarem de 10 para 17 lugares no “Knesset”; (iv) os partidos à direita coligados governamentalmente com o “Likud” terão resistido em ligeira baixa na respetiva expressão parlamentar; (v) qualquer significância da esquerda é atualmente uma miragem. No cômputo geral, e para ser curto e grosso, diria que faltam os resultados finais (tradicionalmente com tendência para trazerem surpresas em relação às projeções iniciais) e que falta observar qual a distância efetiva entre os dois partidos mais votados, o que ajudará a determinar quem será o escolhido pelo presidente Isaac Herzog para começar a tentar a formação de um governo viável, não sendo de todo de excluir que estas negociações redundem num fracasso e acabem por levar à necessidade de um novo processo eleitoral. Em tudo isto, a permanência de Netanyahu em posição de tomada de decisão – seja enquanto existirem meses de compassos de espera ou enquanto qualquer tipo de clarificação não se vier a tornar definitivo contra si – continuará a ser uma desgraça internacional, com a agravante de esta se converter em catástrofe se o figurão lograr alguma forma de se manter à tona e com as rédeas na mão...
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
ISRAEL À ESPERA DE CONHECER O QUE DECIDIU...
(cartoon de Agustin Sciammarella, http://elpais.com)
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