Poucos motivos de aplauso nos tem dado o governo de Montenegro, obcecado como está com agradar (ou, talvez melhor, não desagradar) à dupla não assumida Ventura-Passos. Mas, e por uma vez, alguma coisa útil saiu daquelas cabeças e, em especial, do homem que aceitou encarregar-se de reformar o Estado (Gonçalo Matias), até ver com pouca eficácia. O fim do visto prévio do Tribunal de Contas (TC) para contratos abaixo de 10 milhões de euros foi uma decisão de alguma coragem (que outros não tiveram!) e, sobretudo, de um manifesto potencial desbloqueador de constrangimentos que de há muito vêm afetando a atividade autárquica e a dinâmica económica – contanto que à respetiva altura venham a estar os principais beneficiários da eliminação de uma limitação burocrática, frequentemente estúpida e/ou explorada com má-fé por parte do Tribunal de Contas, que não cabe numa sociedade que se devia pretender aberta e assente num princípio de confiança entre os cidadãos e o Estado... Como não podia deixar de ser, logo a lógica corporativa veio ao de cima com a Presidente do TC, Filipa Urbano Calvão, a mostrar a sua preocupação com o que considerou poder ser a fragilização do Estado e a correspondente quebra de credibilidade externa, por um lado, e até a emergência de riscos no tocante à gestão do dinheiro dos contribuintes, por outro. Fica assim ao cuidado de todos nós a demonstração de que o combate a verdadeiras forças de bloqueio constitui um fator de modernidade e eficiência para a economia e a sociedade portuguesas. Mesmo quando há riscos, e há-os, a verdade é que sem os correr o progresso fica mais difícil.
domingo, 12 de abril de 2026
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