(Uma manhã de domingo diferente da rotina habitual, que valeu a pena como alternativa a sentir pela manhã o ar mais leve de Seixas, debruçado sobre o Coura que se espraia até à foz. A razão era válida. Os concertos Promenade 2026 do Coliseu do Porto traziam a Sinfonia Incompleta de Schubert, motivo suficiente para recuperar forças para uma semana agitada que será esta em termos de trabalho. O programa era aliciante. A jovem Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto assinava um programa, sob a direção do maestro Fernando Marinho, que integrava além da Incompleta, música de Offenbach e de Carl Maria von Weber. Pela música de Schubert faço qualquer sacrifício e para mais os jovens músicos da Orquestra Sinfónica do Conservatório do Porto tocam com uma maturidade de espantar, ilustrando bem o que é a espantosa evolução do ensino da música em Portugal e o Norte não fica nada mal representado nesta matéria. A solista flautista Leonor Lopes que abrilhantou a Fantasia sobre "Der Freischutz" de Weber é de cortar a respiração e impressionaria qualquer auditório europeu exigente. Os comentários de Alexandre Delgado, musicólogo que ouço regularmente na RDP Antena 2, como agora se chama, deu ao concerto a mensagem pedagógica adequada, contextualizando as obras de Offenbach, Weber e Schubert. A Incompleta de Schubert é daquelas peças, a minha versão mais ouvida é a de Carlos Kleiber, a que sempre recorro quando me apetece saltar para lá do ruído e do incómodo das perturbações do quotidiano. Alexandre Delgado explicou bem que Schubert nunca ouviu tocados em público os dois andamentos a que a Sinfonia se limita, pois já perto da sua morte precoce terá entregue o manuscrito a algum editor que não o divulgou durante longo tempo, até que se compreendeu estar-se perante uma das peças mais belas da história da música, com a curiosidade de termos uma sinfonia apenas com dois andamentos.)
Nunca tive o prazer de assistir um concerto Promenade britânico no majestoso Royal Albert Hall. Os Promenade à moda do Porto do Coliseu AGEAS não terão certamente o fascínio londrino que ressalta das transmissões da Antena 2 que por vezes sigo. Mas a manhã de ontem no concerto do Coliseu trouxe-nos uma orquestra sinfónica do Conservatório de Música do Porto que sugere estar o futuro assegurado, encontrem estes jovens a oportunidade certa de profissionalização. A direção de Fernando Marinho foi contagiante. Vejam-no a falar do concerto que dirigiu.

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