sábado, 25 de abril de 2026

O DN E A INVENÇÃO DE UM DESCONTENTAMENTO

A primeira página do “Diário de Notícias” (DN) que vai estar nas montras e nas bancas durante este “Dia da Liberdade” é reproduzida acima. O seu título mais saliente sublinha que “ metade dos portugueses estão descontentes com a democracia” em letra maior e mais carregada e é isso que aqui me traz hoje. Porque será que um jornal histórico e tido por essencialmente idóneo faz, em tempos de demagogia e populismo, uma chamada de capa desta natureza? Ademais quando do estudo encomendado pela Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril, no qual a peça jornalística em causa assenta, se infere que 77,6% dos inquiridos apontam que as consequências da revolução foram “mais positivas do que negativas”! E, respigando alguns excertos da dita peça (ver abaixo), também se conclui, ainda, que a maioria dos portugueses entende que a democracia é o melhor regime político existente, que as mudanças na nossa sociedade não teriam sido possíveis sem o 25 de Abril, que este contribuiu para garantir as liberdades e direitos que existem hoje, que confia moderadamente nas instituições pelo que revela preocupação com os riscos que identifica para a evolução futura do regime. Um posicionamento que, não descarando problemas e críticas, se mostra límpido e óbvio como o DN não pretendeu transmitir aos seus leitores e a todos quantos vão andar hoje pelas ruas a celebrar alegremente uma data confrontados com a provocação evitável que lhes vai surgir à porta dos quiosques ou das lojas de conveniência se a competência imperasse e/ou o primarismo populista não andasse por aí à solta. Gritem comigo, pois: 25 de Abril, Sempre!


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