Mais de cinquenta anos depois, os americanos decidem voltar à Lua. O que o seu presidente anuncia com uma pompa que lhe não é habitual e para a qual tem escasso jeito. Como quer que seja, o mundo assistiu a quatro astronautas (incluindo uma mulher) sendo lançados no espaço em busca de algo indeterminado aos olhos do cidadão comum, ademais num tempo em que as diabruras terrenas parecem indiciar um desajuste humanitário fundamental. A imagem de Vadot vem, por isso, a talho de foice: em 1972, outro presidente mal-amado, Richard Nixon, defrontava-se com uma guerra indesejável (Vietname), uma marcante impopularidade e um escândalo nunca visto (Watergate), tendo as coisas acabado em desgraça e renúncia (perante o risco certo de impeachment) para o seu lado – e que magnífico seria se as coincidências factuais (Irão, impopularidade e caso Epstein) levassem a que o atual titular fosse de algum modo obrigado a sair de cena para gozo da sua fortuna tão corruptamente multiplicada no seu primeiro ano de mandato, de uns dias terminais com a sua Melania em Mar-a-Lago ou – melhor ainda! – para cumprimento de uma merecida pena ordenada por uma justiça a funcionar num país que fosse capaz de recuperar os checks and balances que ameaçadoramente vão sendo eliminados às mãos da clique inimaginável (vejam-se, reproduzidas do "The Guardian", as caricaturas do secretário da Guerra, Pete Kegseth, e do nacionalismo evangélico a que dá voz) que se apoderou dos destinos dos EUA e da sua tão inesperadamente pouco sólida democracia.


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