sexta-feira, 17 de abril de 2026

BIFs SUBSTITUEM PIIGSs

Como é mais do que sabido, os mercados têm os seus tiques e idiossincrasias que valem o que valem. Mas a verdade é que por vezes o Diabo as tece, como diz o povo.

 

Ora aí está um caso ilustrativo, com os investidores dos mercados obrigacionistas a indiciarem que parece definitivamente sublimada a terrível fase dos chamados PIIGSs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) como sua preocupação maior – com o indevido e castigador empolamento que se conheceu, aquando da crise das dívidas soberanas, em bocas irresponsáveis de muitas origens geográficas e ideológicas – e a trazerem à tona um problema de outra natureza e amplitude como é aquele que um feliz paralelismo do “Financial Times” agora carateriza com o acrónimo de BIFs (ou seja, Grã-Bretanha, Itália e França).

 

Com efeito, desde o início da guerra no Médio Oriente em final de fevereiro, estas três grandes economias europeias surgem como estando entre as que revelaram os maiores acréscimos das taxas de juro aplicadas aos seus envolvimentos e financiamentos obrigacionistas (inclusivamente para prazos muito longos – o yield do Reino Unido a 30 anos, por exemplo, já está acima de 5,5%!). Conjugando esta evidência com o enorme peso relativo das suas dívidas (expresso na incomparável dimensão das respetivas bolas representadas no gráfico abaixo), fica bem à vista a magnitude dos desequilíbrios em presença e os consequentes riscos para o crescimento europeu e a capacidade de resposta do Continente aos imensos desafios de toda a ordem que se lhe apresentam.

 

Neste quadro – onde Grécia, Bélgica e Espanha também são fonte de preocupação pelos respetivos níveis de endividamento e onde a Polónia, a Eslováquia e a Roménia o são igualmente pela crescente avaliação negativa associada aos respetivos mútuos –, o que importa mesmo é deixar claro o cu-de-boi com que estão defrontados dois dos grandes países da União (Itália e França) e, por natural extensão, o “Clube” como um todo.

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