segunda-feira, 27 de abril de 2026

E AGORA, FREDERICO SEM MEDO?

 

A tarde deste Domingo trouxe-me boas novidades, a começar pela vitória do meu FC Porto na Reboleira e a terminar no empate do Sporting na Vila das Aves. As trocas de galhardetes entre os treinadores – por conta do mal-estar entre os presidentes, alimentado de forma muito pouco nobre e bastante malcriada por Varandas – mostraram um Rui Borges a tentar dar prova de vida num contra-ataque bastante mal-amanhado (e contrário à humildade que quase sempre exibiu ao longo dos meses – ele não tem mesmo jeito para “macaco de imitação” do seu brasonado presidente nem conversa que não passe por coisas como a da mera ingestão de uma canja enquanto o barulho se vai desenrolando à volta) e um Francesco Farioli já bem entrosado com o argumentário que o país futebolístico entende (a lesão de Hulmand, por entrada dura mas natural de Gabri Veiga, foi tratada ao microscópio durante a semana toda e fez com que ele tenha sentido a necessidade de explicar que o Sporting só está na final da Taça porque Gonçalo Inácio não foi expulso aos 5 minutos de jogo pela dupla Miguel Nogueira/João Malheiro Pinto, cuja dualidade de critérios foi do mais tendencioso que já vi em anos de futebol).

 

E a verdade é que os resultados que obtiveram em campo deixaram o homem de Mirandela em maus lençóis perante os seus patrões de sangue azul (já de si algo incomodados com a origem popular e transmontana do treinador) e o italiano a um curto passo do título (contrariando a inúmera quantidade de tentativas levadas a cabo pelos comentadores para lhe vaticinar um final de campeonato igual ao que teve no Ajax na season passada). Com a época de 2025/26 a chegar ao seu final, Borges começa a revelar as fragilidades que lograra esconder, as deficiências da sua equipa técnica e as respetivas consequências em termos físicos e médicos (aqui também com responsabilidades para a administração do clube, ademais também culpada de ter alimentado ilusões excessivas para o plantel, vulgo, de ter acreditado que podia aspirar a conseguir saciar a sua sede em demasiados potes), enquanto Farioli vai mantendo a sua coerência tática, motivacional  e discursiva e assim parece encaminhar-se decisivamente para alcançar o 26º título dos “Dragões” depois do 25 de Abril (contra 26 para terceiros no seu conjunto, divididos entre os 18 do Benfica, os 7 do Sporting e o único do defunto Boavista). Ou seja: Borges pode estar em risco de lhe calçarem os patins (ninguém diria mas Mourinho terá aqui uma palavra a dizer) e Farioli começará a preparar 2026/27 a partir de meados de maio, não obstante a incrível dose de comentadores lisboetas que se esforça por o convencer a abandonar a Invicta e se transferir para o Chelsea. Tão queridos e tão previsíveis!


(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)

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