terça-feira, 21 de abril de 2026

EXPLIQUEM-SE!

 

Que irritação me provoca esta discreta mas descarada presença de “iminências pardas” acedendo privilegiadamente aos corredores do poder e beneficiando candidamente de formas diversas de favorecimento ilícito ou imoral! As ditas são muitas e de múltiplas cores políticas, entre amigos de algum primeiro-ministro de mais ou menos longa data ou seus companheiros de férias ou de futeboladas, consultores que tendem a saber primeiro as oportunidades que vão estar no mercado por mão governamental, patriotas sempre disponíveis para ajudar mas nunca ou quase nunca para assumir responsabilidades escrutináveis ou meros compagnons de route de lealdade à prova de bala ou simplesmente conhecedores do que não lhes deveria ter chegado ao conhecimento.

 

Podia encher este post com situações e respetivos protagonistas mas o meu objetivo não é tanto seguir por essa via, antes sim o de deixar expressamente sublinhado que há quem esteja minimamente atento e a ver e, em especial, o de sugerir a alguma desta gente que dê a cara e mostre o que vale ou desapareça da vista pública, assim como aos titulares de cargos de poder que façam exames de consciência integrais quando decidem entrar em disputas partidárias e políticas que lhes possam vir a granjear um acesso a informação ou uma capacidade de decisão que sejam potencialmente suscetíveis de ser reputacionalmente afetados por anteriores andanças e envolvimentos menos cuidadosos. Não fora a indignidade do golpe propriamente dito, quase me apeteceria aqui louvar aqueles que fizeram essa maldadezinha que lhes encheu os bolsos mas logo saíram pela calada para o recato da sua privacidade sem pretensões tolas de uma qualquer forma de prosseguimento em termos de notoriedade ou valorização por parte da comunidade de entorno.

 

O caso que tem vindo a lume de Eurico Castro Alves – um cirurgião prestigiado, uma figura com significativo grau de exposição pública a Norte e no País e um cidadão muitíssimo próximo de Luís Montenegro – pode ou não caber no espírito que animou este post. Tal dependerá, sobretudo, de explicações articuladas e fundamentadas do próprio, da administração do Santo António, do IGAS e da ministra da Saúde. O que de todo não basta é a sua mera garantia de que tem a consciência tranquila...

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