(O post de hoje corre o risco de desaparecer no mais completo anonimato, pois a figura de Vicente Lucas, além de pertencer ao mundo do futebol, já terá caído no esquecimento da grande maioria dos adeptos vivos. O insuperável defesa do Belenenses, Pelé que o diga, deixou-nos aos 90 anos e com a sua memória fica a imagem do defesa rigoroso como uma máquina que não falha, que hoje dificilmente encontramos e que tinha similares em nomes como o Germano, o Humberto Coelho, o Ricardo Gomes, o Eurico, o Miguel Arcanjo e tantos outros. Por mais desalinhado que isso vos possa parecer, sempre me impressionou mais no futebol a engenharia defensiva, o rigor da movimentação e basculação de uma defesa, a sincronização dos movimentos, a sábia combinação de defender à zona e homem a homem, a cobertura de todos os espaços possíveis do que os ímpetos atacantes. Mas nessa engenharia de rigor existe sempre um desempenho individual que nos marca para sempre e o Vicente Lucas era um desses. A sua marcação a Pelé ficou nos anais do bem defender, sobretudo porque a eficácia era exercida com uma elegância ímpar, aparentemente sem esforço. Depois, o facto de pertencer a um clube simpático, o Belenenses, faz com que um SLB inveterado sentisse afeição por esse atleta, que era extensivo ao impetuoso Matateu, esse do lado do ataque e que era temível na procura incessante da baliza adversária. Hoje, o Belenenses, depois uma luta fratricida entre Clube e Sociedade Anónima Desportiva (SAD), parece ter evitado algo de semelhante ao que o nortenho Boavista está a viver, na agonia do desaparecimento, e luta galhardamente pela subida à Liga 2. A memória de Vicente Lucas bem justificaria o êxito dessa campanha.)

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