terça-feira, 28 de abril de 2026

O ESTADO DA POLÍTICA EM PORTUGAL: CROMOS DE ABRIL

O Presidente chegou e não quis deixar de se associar às boas e costumeiras leituras nacionais: que maravilha somos, e tanto mais o seremos se conseguirmos introduzir algumas melhorias! E a verdade é que assim é para quem se contenta em andar por aí neste “jardim-à-beira-mar-plantado” cheio de sol, boa comida e tranquilidade q.b. (apesar dos “alerta CM” e das lunáticas “denúncias” do Chega). Outros sublinharão, em contraponto, alguns tipos de restrições a esta perspetiva, assinalando a pobreza que ainda persiste, os serviços públicos em rotura, os baixos salários e – não o esqueçamos – os riscos que corremos perante a desordem mundial e os seus desmandos em curso e potenciais. Mas no cômputo geral, e por enquanto, no pasa nada...

 

Na dimensão governativa, os dois maiores responsáveis andam inebriados com o poder e a importância que lhes caiu no colo, o primeiro sem escolher entre esquerda e direita (o Chega é do centro, entenda-se!) porque prefere as pessoas (!) e a justificar a sua postura de estadista internacional de eleição com a defesa de que a Rússia de Putin merece diálogo, o segundo, para nos distrair da sua gestão das Lajes em termos servis relativamente a Trump, a atirar com a ideia de reforçarmos a nossa presença no Indo-Pacífico (agora, assim de repente?) e a sustentar que a ausência de reformas por parte do Governo não passa de uma narrativa mal-amanhada.

 

Do lado da Oposição – sim, porque o PS é o segundo partido mais votado e lidera as sondagens e o Chega é um mero elemento de atrito na democracia portuguesa –, Carneiro disfarça perante um Cordeiro com candidatura em gestação, Tiago puxa dos galões e diz-se vítima de cancelamento (e se fosse só de uma incapacidade de alguns deputados laranja para honrarem acordos estabelecidos a nível dirigente) e já não vai ser Provedor de Justiça, Abrunhosa evidencia a sua pose de cristã-nova e recebe um ralhete de Moz por conta do secretário-geral e Assis anuncia o que não era necessário: tem demasiado que fazer em Bruxelas para poder participar no Secretariado Nacional do seu partido (será que Carneiro o queria por lá?).

 

E assim vamos cantando e rindo, até ver...

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