(Agustin Sciammarella, http://elpais.com)
A fase de grupos do Mundial de Futebol terminou sem grandes surpresas que não a de monta associada a Cabo Verde ter seguido em frente a expensas do Uruguai. Não sei se decorre de impressão minha ou se tal foi mesmo assim, mas a verdade é que os jogos me pareceram genericamente mais bem disputados do que o costume, nenhuma equipa fez figura de bombo da festa (nem mesmo Curaçau perante a goleada sofrida com a Alemanha) e a maioria destas apresentaram-se em condições físicas bastante razoáveis para o momento da época. Das 32 seleções que passaram à fase do “mata-mata”, 15 delas não perderam (além do Irão, muito mal tratado pelas autoridades americanas e desprotegido pelos responsáveis da FIFA – Infantino não disfarçou nunca o seu apego a Trump! –, que ficou de fora sem perder, i.e., obtendo três empates face à Bélgica, ao Egito e à Nova Zelândia) mas apenas 3 só ganharam (Argentina, França e México); ao invés, foram 6 as que não alcançaram qualquer ponto (Haiti, Iraque, Jordânia, Panamá – a única das 48 presentes que não fez qualquer golo –, Tunísia e Uzbequistão) e outras 6 as também afastadas com clareza (Catar, Chéquia, Curaçau e Nova Zelândia, todas com um empate, e Arábia Saudita e Uruguai, com dois empates), tendo 4 sido eliminadas na definição das piores terceiras (Coreia do Sul, Escócia, Irão e Turquia) e 8 sido repescadas como melhores terceiras (Congo, Suécia, Gana, Equador, Bósnia-Herzegovina, Argélia, Paraguai e Senegal, esta última com 3 pontos e as restantes com 4).
O melhor marcador desta primeira fase foi o argentino Lionel Messi com 6 golos (um veterano que tem vindo a ganhar prestígio adicional com a sua postura de participante autêntico de um coletivo), seguido com 4 pelos franceses Mbappé e Dembelé, pelo brasileiro Vinicius Junior e pelo norueguês Haaland. Em termos de assistências, destaque para as 3 do brasileiro Bruno Guimarães, do Francês Michael Olise e do sueco Alexander Isak; quanto a distribuição de jogo (medida em número de passes e precisão dos mesmos, respetivamente), saliência para os espanhóis Rodri e Pau Cubarsi; no tocante a pressões defensivas exercidas, a vantagem vai para o mexicano Quiñones, e nos guarda-redes (limitando o registo às equipas apuradas), o paraguaio Orlando Gill dominou em número de defesas, o cabo-verdiano Vozinha em número de ações dentro da área e o sul-africano Alowais em número de ações fora da área, mas seja-me permitido considerar a exibição de Diogo Costa contra a Colômbia como a mais extraordinária de todas quantas pude observar.
Por fim, e antes de fechar, uma palavra para a dupla-maravilha deste torneio: CR7 como o jogador mais capaz de condicionar todo o desempenho de um “onze” (a sua provecta idade já desaconselharia a sua inclusão em todos os jogos e todos os minutos da equipa de Portugal, mas a sua “idade atencional”, medida pelo cronista do “Público” em 130 anos, agrava ainda o grau de incompreensão da situação) e Roberto Martinez como o selecionador mais covarde e “vendedor de banha da cobra” de todos aqueles quase 50 que por lá anda(ra)m. Veremos como vai ser em Toronto contra os “idosos” da Croácia, quem sabe se às tantas o homem até engata e obriga Livakovic a ir até ao fundo das redes.


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