Foi indescritivelmente brutal o acontecimento que ocupou o centro do Porto durante seis dias. Um evento literário e cultural, organizado pela Fundação Livraria Lello e designado por “Babell”, trouxe ao Porto umas dezenas de escritores de reputação mundial e pô-los a conversar sobre a sua obra e o seu entendimento da vida com os leitores de todas as idades que responderam admiravelmente à chamada – foi realmente mágico ver mais de um milhar de pessoas sucessivamente sentadas na Praça dos Leões, a imensa fila para o Coliseu na noite em que Salman Rushdie lá iria estar ou a junção dos “três mosqueteiros” (Pedro Abrunhosa, Rui Veloso e Rui Reininho) que, em complemento musical, atuaram nos Aliados; entre tantas e tantas outras componentes de um programa exemplarmente construído pelo comissário Rui Couceiro. Parabéns, muito merecidos, devem também ser endereçados a Pedro Pinto e sua mulher Aurora, incansáveis criativos de uma utopia cuja concretização foi muito para além das melhores expectativas.
Pessoalmente, foi para mim especial poder assistir à sessão de Julian Barnes (entrevistado por Richard Zimler), até na sequência da recente publicação do seu “Partida” que anunciou ser o seu adeus à escrita (“Sinto que já disse tudo o que tinha a dizer”). O sentido de humor britânico de Barnes esteve bem presente naquele palco em que nos disse também ser portador de “um tipo de cancro de sangue raro que é curável e gerível, como a vida”. Uma nota final para sublinhar ainda que também tivemos autores portugueses da maior nomeada (Lídia Jorge, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe) e sessões culturais de vária ordem, como foram os ciclos “O Porto em 90 minutos”...






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