sexta-feira, 19 de junho de 2026

ANDY À ESPREITA, ESTÁ NELE A SOLUÇÃO?

A modesta circunscrição de Makerfield, integrando 105 mil habitantes vivendo em 57 km2, pode ter ficado a partir de ontem na história política recente do Reino Unido ao viabilizar a eleição parlamentar do mayor da Grande Manchester (Andy Burnham) e, portanto, a possibilidade de ele desafiar a liderança trabalhista de Keir Starmer (em abrupta quebra de popularidade).

Burnham venceu confortavelmente a eleição intercalar em Makerfield, obtendo quase 25 mil votos (55% do total) contra cerca de 35% do candidato do “Reform” e cerca de 7% do candidato do “Restore Britain” (lançado em fevereiro com o apoio expresso de Elon Musk), ou seja, somando mais 5400 votos do que o candidato do seu partido em 2024 e mais 6100 votos do que aqueles dois partidos radicais juntos (note-se, por ser espantoso e esclarecedor, que os Conservadores, os Liberais e os Verdes passaram de 22% em 2024 para 3% agora). Resultado que é relevante se tivermos em conta que as sondagens nacionais em Makerfield apontam notoriamente para um crescimento do “Reform” (apesar de os trabalhistas comandarem a circunscrição desde a sua criação em 1983) e que os eleitores locais votaram Leave em 65% no referendo do “Brexit”.

 
Burnham regressa assim a Westminster – fora eleito pela primeira vez há 25 anos, depois serviu nos governos de Blair e Brown (designadamente como secretário da Saúde) e abandonou funções centrais há nove anos –, após ter adquirido grande visibilidade como “Rei do Norte”. Na despedida, mostrou-se triste por ter de largar um cargo que adorava mas deixou o contrabalanço de não poder corrigir a divisão norte-sul sem regressar a Londres. 
 
Nesta linha, assinale-se ainda a essência das declarações de vitória de Burnham: que o povo “votou pela mudança, votou por mais poder para o norte e todos os locais esquecidos por Westminster” (registe-se a curiosa correspondência entre a sua argumentação e a dos estudiosos dos places that don’t matter, sobretudo quando explicitou que os eleitores lhe disseram que se sentiam “negligenciados” e que “o país trabalha para outras pessoas e outros locais mas não para cá”). O que reforçou com o sublinhado de se estar perante “uma oportunidade final para mudar”, algo que sustentou passar por “uma nova política baseada em unidade e esperança”.
 
Vão ser interessantes de observar os próximos movimentos políticos britânicos, quadro em que as leituras relativas a Burnham oscilam entre acusações de “catavento” e elogios pelo carisma. Sendo que as sondagens o dão claramente como o menos mal visto dos três favoritos a assumirem o Labour (saldo entre opiniões favoráveis e desfavoráveis de -7 para ele contra -30 para Wes Streeting e -38 para Keir Starmer). A seguir de perto...

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