sexta-feira, 5 de junho de 2026

HONRA E DESONRA

Pep Guardiola e Mohamed Salah protagonizaram, até agora, as grandes despedidas do futebol mundial, o primeiro abandonando o comando do Manchester City após dez épocas de sucessos indiscutíveis que fizeram dele, quiçá, o melhor treinador do mundo, o segundo deixando o Liverpool após nove épocas brilhantes e cheias de títulos coletivos e individuais. Fica o registo de dois monstros que marcaram a última década e que inscreveram o seu nome na galeria dos inesquecíveis do desporto-rei.
 
Mas tristezas não pagam dívidas e há que levantar a cabeça e olhar em frente. No presente momento, e enquanto se aguarda pelo Mundial, as transferências e as contratações começam a suceder-se, sendo a ida de Andoni Iraola (o treinador-revelação da época que termina) do Bornemouth para o Liverpool (que despediu Arne Slot) a mais marcante, apesar das escolhas de Xavi Alonso no Chelsea e de Enzo Maresca no City. Em termos de jogadores, o mais saliente acontece em Espanha, onde o Real Madrid já reforçou as suas laterais defensivas (o francês Ibrahima Konaté, ex-Liverpool, e o holandês Denzel Dumfries, ex-Inter de Milão) e o Barcelona já garantiu o extremo Anthony Gordon (ex-Newcastle). Mas é mais do que óbvio que a procissão ainda vai no adro e que os grandes tubarões (ingleses, italianos, franceses e alemães) ainda não aqueceram os seus motores.


O único tema que prende as atenções nacionais é o da decisão sobre o treinador do Benfica, aparentemente tornada definitiva com a chegada de Marco Silva do Fulham. A novela José Mourinho ocupa há semanas as preocupações do País e dos comentadores da Capital, mas trata-se nitidamente de um assunto cheio de tabus, traições, mentiras e combinações com graveto (mais à vista ou mais escondido). Neste quadro, e sabendo-se que o setubalense já acordou tudo com Florentino Pérez, o engraçado seria que este perdesse as eleições de Domingo contra o seu desafiador (Enrique Riquelme) e que, simultaneamente, os quinze milhões para os “encarnados” ficassem retidos no banco de Florentino enquanto Mourinho ficaria fora de Madrid como merecia face à atuação vergonhosa que teve face ao seu ainda empregador. Não é provável, mas seria uma prova da existência de um Deus que penalizasse a má-fé, a chico-espertice e a incompetência...

(excerto de Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)

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