quinta-feira, 25 de junho de 2026

DO INCONSEGUIMENTO DE NEXOS

(excerto de Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt) 

Sucedem-se os dias, sucedem-se os meses, sucedem-se os anos e a “política à portuguesa” prossegue inalterável na desconformidade da sua prevalecente inércia e das suas receitas profundamente inofensivas. Na realidade, até os protagonistas se sucedem numa continuada e aflitiva exibição de inépcia funcional e inaptidão governativa, sendo única diferença a registar nestes anos a chegada de Ventura, esse escorpião que os nossos “maiores” tanto temem (pretextando respeito pelos seus votantes), a ponto de dele fazerem um personagem merecedor de crédito e não de o denunciarem pelas suas desavergonhadas prestações camaleónicas e mentirosas (“troca-tintas”). Mas vou deixar o “mestre populista” para outro dia e prosseguir com o restante, para o que trago a este post alguns exemplos ilustrativos do que acima sustento. Os ditos vão do que se afirma consoante a audiência e/ou o destinatário visado (e o Montenegro de hoje não difere do Costa de ontem) à execução do PRR (com que já Marcelo invetivara Ana Abrunhosa e agora, como estava escrito nos astros, são os municípios a pedir refinanciamento), dos “números de circo” que, quanto mais espampanantes e arriscados, mais impressionam os mais incautos (o “fundo soberano” anunciado pelo primeiro-ministro, mais do que incoerente, bem merecedor é da pergunta de João Miguel Tavares: “descobrimos petróleo e ninguém avisou?”) aos “números ideológicos” que, quanto mais reacionários e desajustados, mais descobrem carecas e tendem a animar o inenarrável chefe da claque (Paulo Núncio), sem esquecer ainda os incontornáveis invariantes absolutos de todos os tempos (da veia diarreica dos decisores e seus influencers, matéria em que o “centro de exposições transfronteiriço” do autarca de Caminha ocupa um justo lugar de destaque, aos jobs for the boys que insistem em marcar presença em qualquer governo que se preze). Pretender que, num quadro desta natureza, possa surgir algum ímpeto reformador/transformador do País é mesmo algo que só pode provir do foro da crendice partidária vazia de sentido ou de um embuste de bonita fachada palavrosa mas pleno de conteúdo fraudulento. 




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