terça-feira, 29 de outubro de 2019

ENTRETANTO NA ALEMANHA...


(Greser&Lenz, http://www.faz.net)

Claro que a Turíngia é um caso especial no panorama político alemão. Mas, ainda assim, não deixam de ser sintomáticos e assinaláveis os resultados das eleições regionais que lá ocorreram no Domingo, designadamente pelo crescimento registado nos extremos do espetro partidário em detrimento dos partidos mais moderados e tradicionais – basta para tal constatar que, enquanto a CDU e o SPD passaram dos 46 lugares parlamentares na sequência das eleições de 2014 para os atuais 29, a AfD e o Die LInke evoluíram de 39 para 51 assentos (embora num quadro em que este último pouco mais que manteve o seu significativo peso eleitoral e aquele viu duplicada a sua força e presença – o cartunista fala em sinais...).

Vejamos a situação presente num plano nacional, recorrendo à mesma poll of polls em dois grafismos diversos e complementares. Em síntese: a CDU e o SPD caem abruptamente, aqueles vindos de 35% e estando a 28% e estes vindos de 20% e estando a 14%; os Verdes são a maior novidade em termos de crescimento (de 10% para 21%); a AfD cresce moderadamente (de 10% para 14%) mas já vale eleitoralmente o mesmo que os social-democratas. Moral da história: nada vai poder permanecer igual nem parecido na cena alemã dos próximos tempos – donde, incerteza e risco.


É precisamente neste quadro que surge um outro fator interessante associado ao processo de eleição de uma nova liderança para o SPD, após a imprevista demissão de junho por parte daquela que era tida por sucessora natural de Angela Merkel (Andrea Nahles). Após duas semanas de votação online e por correio eletrónico, seis pares de candidatos (um de cada género) recolheram uma participação de 53,3% dos 425 mil militantes do partido para um resultado bastante renhido, que conduzirá aliás à necessidade de uma segunda volta entre os dois pares mais votados. Sendo que o mais relevante decorre do facto de os dois pares qualificados defenderem posicionamentos estratégicos diversos para o SPD: um, onde impera o ministro das Finanças (Olaf Scholz), acompanhado por Klara Geywitz (uma pouco conhecida parlamentar de Brandenburgo), diz-se confortável com a atual “grande coligação” (GroKo); o outro, composto por Norbert Walter-Borjans (ex-ministro das Finanças da Renânia do Norte-Vestfália) e Saskia Esken (uma pouco conhecida parlamentar de Baden-Württemberg), apontam o caminho alternativo de um rompimento com a CDU e de maior afirmação própria do partido. Assim sendo, vai ser curioso de seguir o aprofundamento do debate interno a ocorrer nas próximas semanas, tal como vai ser decisiva a escolha final dos militantes, obviamente também enquanto elemento contributivo para a definição das grandes opções europeias de médio prazo.



Enquanto isto, e um pouco mais a norte, os belgas assistem a uma passagem de testemunho na liderança do seu governo, fruto da estranha saída de Charles Michel para a presidência do Conselho Europeu. A nova primeira-ministra passa a ser Sophie Wilmès, até agora ministra do Orçamento e por muitos considerada uma solução meramente transitória. A ver o que sai.

(cartoons de Pierre Kroll, http://www.lesoir.be)

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O ÚLTIMO WOODY ALLEN


Talvez o crítico do “Expresso” tenha razão quando se refere ao último Woody Allen como um “exercício de rotina”, isto é, um “exercício que o cineasta vai repetindo mecanicamente ano após ano, introduzindo nele variações mais ou menos inspiradas.” Daí que, portanto, talvez se possa concluir com ele que “já teve melhores dias, o piloto automático de Allen”. E, no entanto...

Sim, no entanto é para mim um prazer sempre renovado assistir a um filme de Woody Allen. Seja porque é reconhecido que ele consegue apresentar a sua amada cidade de Nova Iorque como ninguém – e, em boa verdade, já lá não rodava desde 2009 (“Tudo Pode Dar Certo”). Seja porque ele sabe descobrir e dirigir atores como poucos – e desta vez são três praticamente ilustres desconhecidos, todos ainda na casa dos vinte, que ele torna brilhantes (Timothée Chalamet, Elle Fanning e Selena Gomez). Seja, principalmente, porque não adiro de todo à ideia de “uma narrativa que se vai desdobrando numa série de episódios desinspirados, que só sobrevivem à base de gags pontuais e de notas dramatúrgicas que – a espaços – fazem prova da inteligência do cineasta”; é que, e ao invés, considero que os ditos episódios são, as mais das vezes, inspirados e assentes em deliciosos gags e notas dramatúrgicas que claramente revelam, isso sim, o enorme talento do cineasta a somar à sua inteligência e sensibilidade.

Entendamo-nos. Não estou a afirmar que “Um Dia de Chuva em Nova Iorque” é um filme excecional ou, mesmo, muito bom. Estou apenas a sustentar que se trata de uma bela comédia romântica e que constitui mais um momento de cinema a não perder, assinado por um realizador que tem vindo a ser objeto de uma campanha que ressuscita fantasmas da década de 90 com vista a destruir a sua dignidade e imagem, acabando, por essa via, por também pretender beliscar a qualidade de tanto do que nos foi deixando enquanto vivência e pensamento.

domingo, 27 de outubro de 2019

O QUE EU ESPERO DO NOVO GOVERNO



(Não escondo que preferia um acordo à esquerda para a nova legislatura, mas também admito que o equilíbrio entre o Bloco e o PCP desfez-se como péssimo resultado deste último. Encaro, por isso, com alguma normalidade o exercício de um governo minoritário do PS e só a dinâmica concreta da navegação num contexto também concreto permitirá ajuizar da bondade da solução. Mas algumas expectativas podem ser desde já clarificadas, para memória futura.)

Entre as linhas de continuidade reveladas pelo Governo que acaba de tomar posse há pelo menos uma que me causa alguma alergia. Tudo indicava que o Ministério da Ciência e do Ensino Superior iria mudar até porque havia informações de que o próprio Ministro desejava voltar ao recanto protetor da academia. A dupla Manuel Heitor – Jorge Sobrinho Teixeira perdeu fôlego há muito tempo e deixou de projetar um rumo para a ciência portuguesa e para o novo impulso que o ensino superior necessita em Portugal. Ainda ultimamente, por informações que me chegam via o meu filho Hugo Figueiredo (Universidade de Aveiro), a cultura de mérito nas universidades sofreu um duro rombo. Pelos vistos, abriu-se a possibilidade de subidas na carreira académica por critérios de tempo de espera numa dada categoria, independentemente do que essas almas fizeram de concreto e de academicamente relevante nesses mesmos dez anos. Assim se “estimula” quem porfia no trabalho académico sem menosprezar a qualidade de ensino e de contacto com os alunos, o que mais uma vez prova a espantosa capacidade endógena da instituição universitária se autoproteger, de resistir aos critérios de mérito, ou seja em mais uma gloriosa manifestação do corporativismo profissional que só serve os menos competentes. Como a universidade portuguesa precisa de uma cultura de mérito, seja na via científica em sentido estrito, seja na via da transferência de conhecimento para o meio empresarial e contributo para o desempenho inovação da sociedade e da economia portuguesa.

O facto da política científica ter descoberto nos Fundos Estruturais uma fórmula de financiamento, simulando em muitos casos que se estão a aproximar das necessidades das empresas, mas sempre desconfiando da capacidade destas últimas para absorver esse conhecimento, tem contribuído para a não libertação de recursos do orçamento nacional para financiar a política de investigação científica. Tenho dúvidas de que a dimensão do país permita grandes veleidades de banda larga no financiamento da ciência em Portugal. Mas admito que os portugueses possam querer ter até alguns domínios de ciência básica, mas isso tem de ser escrutinado democraticamente e perceber que tal opção implica escolhas num contexto de manta curta. A história recente dos Laboratórios Colaborativos constituídos em concurso aberto sem que estivessem definidos previamente recursos orçamentais para os financiar no primeiro período da sua implementação é uma ilustração cabal da fantochada a que se chegou em termos de escolhas de financiamento para a ciência. Tanto mais fantochada quanto o Ministro Manuel Heitor “mendigou” junto dos Programas Operacionais Regionais o financiamento para esses COLABS. E assim se gere a ciência em Portugal sem que os modelos de cultura de mérito permitam ao menos um interface mais fluido com as políticas de inovação.

Dificilmente a dupla Manuel Heitor-Jorge Sobrinho Teixeira mostrará energia renovada para assegurar o impulso necessário a estas escolhas. E nem sequer a possibilidade dos Institutos Politécnicos mais estruturados e com melhor estrutura de qualificações concederem doutoramentos ainda avançou sem haver razões para tal a não ser a inércia da instituição universitária.

Entre as novidades tenho expectativas quanto ao papel da Alexandra Leitão em termos de Modernização do Estado e da Administração Pública. O melhor cartão-de-visita da nova Ministra foi o remoque de Catarina Martins comentando a ascensão da antiga secretária de Estado na Educação e responsável pela negociação com os sindicatos. Se para Catarina Martins é uma preocupação para mim é um sossego. Gosto de ver gente preparada e rigorosa a defender os interesses do Estado e não um banana qualquer com medo das investidas de líderes sindicais como Mário Nogueira a ceder nas questões mais essenciais. Mas a designação do Ministério é ela própria exigente. Tenho para mim que a reforma de 1 milhão de dólares é mesmo a do Estado e espero que de uma vez por todas se compreenda o estado da arte em matéria de descentralização. Jorge Botelho é o secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, depois da sua experiência como Presidente da Câmara de Tavira e da AMAL, em cuja última qualidade tive oportunidade de interagir em termos de trabalho profissional. Com grande dinamismo, Jorge Botelho é o que eu costumo chamar um “maneirinho” da política, sabe manobrar e estou com alguma curiosidade como vai ser o seu estilo de governação. O Algarve ganha de repente três secretários de Estado, Jorge Botelho, Jamila Madeira na Saúde e José Apolinário no Mar (pescas). Não se isto contribuirá para um maior peso político da região que o tem vindo a perder a uma velocidade estonteante.

Finalmente, para não alongar muito o post de hoje e já como expressei as minhas expectativas quanto ao novo Ministério da Coesão Territorial em post anterior, termino com algumas referências à continuidade do Ministério da Economia. Creio que é uma patetice das grandes admitir que vamos assistir a um reforço do poder do Ministério apenas na sequência da subida de Pedro Siza Vieira e amigo de António Costa. O Ministério da Economia é daqueles cuja “accountability” me intriga seriamente, ou a sua ação se desenvolve em domínios que não chegam ao escrutínio público (o que intriga ainda mais) ou então a sua ação em termos de custo-benefício deixa muito a desejar. Uma coisa, entretanto, precisa de ser corrigida, o entendimento do Ministério quanto à importância de uma linha firme e clara de articulação com o Ministério da Ciência (principalmente a FCT) em matérias de inovação, designadamente do segundo ciclo de políticas de inovação estruturadas em torno das estratégias (nacional e regionais) de especialização inteligente (as agora S3, Smart Specialisation Strategies) e do modo como o financiamento da Agência Nacional de Inovação (ANI) necessita de ser clarificado. Receio que o estardalhaço mediático do slogan da economia 4.0 e da transformação digital ofusque a ação do Ministério.

E, já agora, o regresso bem preparado à política de clusters seria uma boa malha. Aliás, persiste o mistério do apagamento desse instrumento de política, sobretudo com gente muito preparada a passar pelo Ministério nos últimos tempos.

A DEMOGRAFIA CONTRA A XENOFOBIA

 

Este é um dos verdadeiros anacronismos práticos do populismo xenófobo que vai invadindo a Europa. Porque, no Reino Unido como em praticamente toda a parte ocidental do Velho Continente, a situação demográfica é do mesmo triste tipo: as projeções indicam que, se não for a imigração, haverá decréscimos significativos na dinâmica populacional de cada país e haverá necessariamente reflexos, por essa via, no respetivo potencial económico. No caso vertente, o Reino Unido – que se estima que atingirá 70 milhões de habitantes em meados de 2031 – terá claramente de se apoiar na imigração enquanto maior driver da sua evolução populacional do próximo quarto de século. O resto são palavras desfasadas ou condicionamentos ultramontanos desligados do lugar e do tempo.

sábado, 26 de outubro de 2019

ERVAS DANINHAS



(Quando é que haverá coragem para combater frontalmente ervas daninhas para a democracia como os Correios da Manhã e CMTV’s deste mundo? Saúda-se a coerência de um jornalista como Pedro Marques Lopes nesse propósito. Estranho não haver mais nomes relevantes para associar a esse combate.)

Nos últimos tempos tenho-me aproximado mais do Eixo do Mal, às quintas na SIC Notícias e menos do Circulatura do Quadrado, às quartas na TVI24.

O cenário visual em que decorre este último programa irrita-me profundamente, é dissonante do teor do programa, distrai a atenção da suposta profundidade que o deveria caracterizar, tal como assim aconteceu nos seus bons tempos e não necessariamente apenas com a presença de António Costa. Para além disso, já não tenho pachorra para digerir o senso comum de Jorge Coelho, aguentar o afunilamento de pensamento de José Pacheco Pereira que, ao contrário do que o próprio pensa não resulta de uma questão de coerência, e conviver com o pensamento por vezes encriptado de António Lobo Xavier que deixa sempre a ideia de saber mais coisas do que transporta para o debate.

O Eixo do Mal é um programa bem mais irregular na qualidade do debate, tem do melhor e do pior, depende muito do estado de alma e do grau de preparação dos intervenientes sobre os temas em debate e tal como resulta de programas com grande prolongamento no tempo de convivência entre comentadores presta-se a divagações e mimos interpessoais que dispenso bem. O Eixo do Mal pretende ser mais despretensioso no debate sem deixar de penetrar fundo em alguns assuntos e tenho de confessar que o espírito de escárnio e maldizer agrada-me. Do ponto de vista ideológico, o debate travado sobretudo entre Clara Ferreira Alves, Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes é regra geral interessante sobre algumas nuances do espectro político em Portugal, já que Luís Pedro Nunes está normalmente fora do baralho. A sua presença poderia ser relevante trazendo para o debate outras origens de pensamento, mesmo que descontando algum diletantismo que emerge da figura e de algumas opiniões. O que é curioso é que embora seguindo o pensamento escrito dos três comentadores mais incisivos pode dizer-se que eles trazem para o debate algo mais do que vertem nas suas crónicas regulares, os dois primeiros no Expresso e o terceiro no Diário de Notícias.

Nos últimos tempos, Pedro Marques Lopes tem sido o mais veemente a denunciar o que significa de erva daninha para a democracia portuguesa projetos como o do Correio da Manhã e o da CMTV sob a batuta da COFINA e o país parece não incomodar-se com a mais que provável compra da TVI por esta última. Gosto de gente que não se escude no mais borolento corporativismo profissional, as coisas são para ser ditas e de facto órgãos de comunicação como aqueles são uma reles exploração da baixa qualificação dos portugueses. Para corporativismo profissional de alta expressão basta-nos o dos médicos, alguns dos quais tão adestrados nas críticas ao SNS e tão ausentes na denúncia da incompetência ou ganância dos seus pares.

Ou muito me engano ou o Chega de André Ventura vai ter tratamento VIP.

JOGANDO COM OS NOMES





Estão empossados os 70 membros do XXII Governo Constitucional. Enquanto esperamos por notícias da sua parte, proponho-vos um pequeno e inofensivo jogo com os 19+1 nomes ministeriais, sendo que desde já lhes adianto que não atribuo qualquer significado importante aos termos do pequeno exercício que de seguida explicito.


Então vejamos:
· só 5 dos 20 ministros (um quarto do total) têm um nome próprio único: o Pedro, a Mariana, o João, o Tiago e o Ricardo;
· 9 membros da equipa ministerial apresentam uma composição de dois nomes próprios em que um é dos mais frequentes na nossa sociedade (António, José e Manuel ou os mais recentes João e Pedro, no caso dos homens, e Maria e Ana, no caso das mulheres): temos assim o António Luís, o Mário José, a Graça Maria, o Manuel Frederico, a Ana Manuel (esta com a particularidade de possuir uma mescla relativamente rara de um nome feminino com outro tradicionalmente masculino), o João Pedro, o Pedro Nuno, a Ana Maria e a Maria do Céu;
· 6 governantes ostentam dois nomes próprios que podem ser considerados menos convencionais, embora claramente uns mais do que outros e seguramente todos tendo a sua explicação íntima: o Augusto Ernesto, o Eduardo Arménio, a Francisca Eugénia, a Alexandra Ludomila, o Ângelo Nelson e a Marta Alexandra.

E é isto. Acrescente-se que todos eles juraram, tal como os seus 50 “ajudantes”, aquela bem conhecida lengalenga: “Eu, abaixo-assinado(a), afirmo solenemente pela minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas”. Todos, aliás, bastante compenetrados do seu papel, ainda que uns mais nervosos do que outros e alguns bem mais sorridentes ou brincalhões, e com a particularidade de um Marcelo muito atento a todos os detalhes do discurso de Costa (que não me pareceu pretender deixar-lhe ali quaisquer recados relevantes). Agora será tempo de trabalho, sendo de admitir que a próxima festa seja a dos 100 dias.

INDICADORES VERSUS REFORMAS


É da natureza da política moderna essa ideia de se sublinhar a presença de reformas por todo o lado. Confesse-se que, numa ótica de copo meio cheio, alguns resultados da governação (ou, melhor, alguns indicadores que se manifestam no tempo de uma determinada governação) revelam certas evoluções tendencialmente positivas que não serão despiciendas. Ao invés, e numa ótica de copo meio vazio, esses mesmos resultados escondem frequentemente situações estruturais de fragilidade que não só não devem ser escamoteadas como são mesmo aquelas que mais marcam a inexistência de caminhos realmente transformadores.

No que toca ao caso português, aqui deixo mais abaixo uma meia dúzia de dados objetivamente positivos – ou não será assim com os custos de financiamento de Portugal estarem a nível inferior aos de Espanha? Ou com a constante redução que se vai verificando na taxa de juro média associada à nova dívida emitida em cada ano? Ou com os quase 9,5 mil milhões de euros de dívida que o Ministério das Finanças conseguiu adiar entre 2016 e 2019? Ou com a baixa taxa de desemprego que vamos registando? Ou com o facto de a população em risco de pobreza estar ao seu nível mais baixo, tendo diminuído em meio milhão de pessoas nos dez anos mais recentes? Ou com a atratividade que vimos evidenciando em termos de captação residencial por parte de cidadãos estrangeiros? –, dados estes que foram trazidos a lume na comunicação social portuguesa dos últimos dias e que podem ajudar a decifrar o sentido do que atrás refiro.

Ou seja: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa – alguns indicadores positivos são naturalmente algo de bom mas a mudança estrutural é bem mais do que isso e pressupõe outro tipo de registos positivos e, sobretudo, traços indiscutíveis em áreas que fazem a verdadeira diferença no médio prazo (da produtividade à inovação, da gestão à estratégia, da organização territorial à governança, do combate às desigualdades socialmente mais constrangedoras à expressão da sociedade civil, da clarividência das elites à justiça, da saúde à educação). Um assunto a revisitar mais profundamente, julgo que concordarão comigo.