terça-feira, 18 de julho de 2017

AIUDARLI A CASA LORO


Admito de bom grado que ainda não consegui tirar a fotografia de corpo inteiro de Matteo Renzi. Ele que já teve momentos de alguma coragem e capacidade de afrontamento (sobretudo no seio da União Europeia), ele que também já teve momentos incompreensíveis e desastrosos (sobretudo no plano interno). A ambição que o carateriza não é necessariamente um mal, sobretudo se os princípios básicos a ela não forem determinantemente subjugados. Mas a pressa de voltar ao poder, e os contravapores que em relação a tal se vão fazendo sentir, parecem ter agora levado Renzi a uma declaração agradável ao ouvido da maioria dos eleitores italianos embora objetivamente ambígua ou desviante – referindo-se aos migrantes que desembarcam na Europa ou morrem à sua demanda (designadamente à porta de Itália) na procura de oportunidades de uma vida decente, escreveu na sua conta de uma rede social qualquer coisa como “ajudemo-los mas na terra deles”; depois, e confrontado com as palavras duras que lhe foram por isso dirigidas, veio corrigir e procurar argumentar que “ajudá-los em casa” não mais significa do que aumentar as verbas destinadas à cooperação internacional e planos para a África, a reformulação dos fundos europeus, a alteração do regulamento de Dublin e assim sucessivamente. Inteligente, Renzi sublinha ainda que a necessidade de salvar todos vai de par com a impossibilidade de a todos acolher numa única nação (o que é uma evidência) – estaremos apenas perante um esclarecimento que se impunha perante um lamentável mal entendido? Ou em face de uma simples tentativa de saída airosa? Ou defrontados com um alerta crítico aos poderosos da Europa e à sua completa incapacidade de reação coordenada? Dado que presumivelmente ninguém saberá ao certo a resposta a estas e outras questões correlacionadas, conceda-se-lhe então por ora a medida de coação mais leve, uma espécie de termo de identidade e residência que o deixe sujeito a investigação e escrutínio durante os tempos mais próximos...

Sem comentários:

Enviar um comentário