sexta-feira, 29 de agosto de 2025

FISSURAS EM SERRALVES (NOTA COMPLEMENTAR)

 

(O meu post de ontem foi redigido antes da entrevista que Isabel Pires de Lima concedeu ao Público, completando a notícia sobre a qual organizei a minha interpretação. Sinceramente, não esperaria que a minha interpretação fosse tão rapidamente confirmada, mas a entrevista, obviamente ainda sem acesso a contraditório pela pessoa visada, corrobora plenamente a minha interpretação de que haveria algum contencioso entre a Presidente demissionária e a Presidente do Conselho de Fundadores Ana Pinho. A expressão utilizada por IPL não podia ser mais acutilante, demite-se porque não “aceita prestar vassalagem” à personagem que eu designei no post de “Senhora disto tudo” de Serralves. É óbvio que a dureza da expressão utilizada é acompanhada de um conjunto diversificado de “salamaleques institucionais” sobre a valia e alcance da obra que Ana Pinho deixou em Serralves nos anos que assumiu a Presidência da Fundação. Para retomar o título do meu post, fica então demonstrado que as fissuras existiam em Serralves, aliás como seria de admitir dada a personalidade da atual Presidente do Conselho de Fundadores e o modelo de liderança que aplicou quando presidia à Fundação. Independentemente de ser absolutamente necessário ouvir Ana Pinho sobre a tal falta de confiança que alguns membros do Conselho de Fundadores depositavam em Isabel Pires de Lima e sobre as razões que as inspiravam, fica de novo a perceção que nestas instituições culturais os egos tendem, por vezes, a sobrepor-se ao rigoroso aprofundamento da missão que lhes está reservada. Nesse caso, essa missão redobra de importância, pois trata-se de uma instituição com prestígio nacional e internacional, construída com autonomia a partir da Cidade e isso é demasiado importante para ser posto em causa por qualquer ego por maior que ele seja. Tal como o meu colega de blogue o sugeriu, começam a existir sinais de que o Porto mais cosmopolita e internacionalizado não resiste ele também às derivas que, frequentemente, denunciamos andarem à solta por terras da Capital. Depois não se admirem que o Norte seja um mito absoluto como consciência regional, aliás como qualquer referendo assim o demonstraria.)

Pessimismo de fim de férias, num agosto que chega ao fim, húmido e climaticamente imprevisível?

Não, nada disso. Simplesmente, análise distanciada e não emotiva de evidência que se vai acumulando.

 

Sem comentários:

Enviar um comentário