(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)
Só algumas notícias desgarradas, e aparentemente não muito relevantes, me fizeram sair da toca da indolência estival, este ano bastante mais justificada pela boa situação climática do Norte que me é dado frequentar, para aqui vir dar prova de vida, sem prejuízo de insistir em me declarar distante deste apagado jogo de sombras e brilhos desfocados que carateriza a nossa vida pública.
Com efeito, e no mesmo dia de ontem, Sampaio da Nóvoa (ASdN) e João Cotrim de Figueiredo (JCdF) vieram comunicar aos portugueses a sua decisão quanto a uma possível candidatura presidencial: o primeiro que não se lançaria em tal aventura e o segundo que sim senhor, partiria em busca do apoio dos jovens. A opção de ASdN é claramente asizada no atual contexto e chegados aonde chegamos por obra e graça do populismo, da indigência intelectual dominante e dos erros primários de Pedro Nuno Santos na matéria. Não obstante, a mesma deixa em aberto um espaço político que temos de admitir que realmente existe, algures entre uma certa esquerda do Partido Socialista e uma parte das forças partidárias à sua esquerda (hoje mais federadas pelo Livre do que pelo Bloco) e pode trazer à tona eleitoral a orfandade de quem não se revê em António José Seguro, notoriamente por boas ou más razões consoante os casos (sobre eles me pronunciarei em momento oportuno). Pessoalmente, e não sendo nem um fervoroso adepto desta candidatura nem um bom conhecedor do que substantivamente a motiva e justifica, entendo que se começa a impor que pelo menos se lhe conceda o benefício da dúvida.
Já quanto a JCdF, estamos perante um personagem dotado de alguma qualidade intrínseca – embora seguramente menor do que aquela que o próprio se lhe atribui – e que poderá ter avançado em antecipação dissuasora de uma eventual candidatura de Rui Moreira (que, apesar de tudo, tendo a julgar improvável). Também é curioso, e tristemente sintomático, que um liberal dos sete costados como JCdF se pretenda dirigir preferencialmente aos jovens, convicto como certamente estará de que estes se apresentam hoje em dia numa senda de crescente e simultânea captura por parte do seu liberalismo de pacotilha e da sua ausência de referenciais de ordem social e sentido coletivo. Prosseguir na doutrinação, portanto, aproveitando em acréscimo para dar largas às insufladas veleidades pessoais que exibe.
E assim vamos em direção a umas Presidenciais que pouco prometem de entusiasmante e nas quais a vitória do Almirante está a ficar surpreendentemente em dúvida – será que é mesmo por falta de conteúdo e excesso de cabelos grisalhos e ressabiamento no núcleo duro? – por via das subidas nas intenções de voto do pequeno Marques Mendes – em busca de fixar o máximo possível de laranjismo e de captar alguns trânsfugas (André Sampaio e José Mendes são disso exemplos sem grande expressão) porque lá esforçado é ele! – e de Seguro – a trabalhar numa relativa mas estruturada clandestinidade enquanto espera pelo apoio do PS. A boa notícia é, fogachos descontados, que Marcelo já começou a fazer as malas com que sairá de Belém...

Sem comentários:
Enviar um comentário