(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)
Que reação esperar do povo anónimo em relação ao súbito arrependimento de Luís Montenegro no respeitante à abordagem governamental do flagelo dos incêndios? Talvez algures entre a indiferença, o desdém e a ironia, consoante os feitios e o grau de politização de cada um... O certo é que o homem que se passeava altivamente pelas ruas da Quarteira a caminho da Festa do Pontal, de mão dada com a sua primeira-dama, depressa abandonou o queixume e a crítica afrontativa aos comentadores e aos critérios das reportagens televisivas para optar por interromper as férias algarvias que despreocupadamente gozava em favor de um regresso a Lisboa (e alegadamente ao terreno) para se dedicar à apressada propositura de um “Pacto para a Floresta”, uma iniciativa propagandística voltada para o longo prazo (25 anos) e a apontar para a ideia até agora rejeitada de pacto de regime (veja-se a forma como foram silenciosamente tratadas as tentativas de Carneiro nessa direção). Chamados também os ministros a Viseu, rapidamente saíram das respetivas cartolas umas dezenas de medidas e apoios mitigadores que serviram para contrapor ao “nem tudo correu bem” com que o primeiro-ministro se dirigiu o mais humildemente que conseguiu aos portugueses e, em especial, às vítimas da incompetência que debalde assim procurava encobrir.

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