É conhecida de quem frequenta este espaço a minha propensão para fazer balanços nos momentos próprios, que no caso seria o deste final de 2025 que se aproxima. Mas sinceramente a vontade natural não ganhou expressão suficiente para vencer uma inércia insuflada pelo quadro que se me apresentou quando refleti sobre a matéria – um ano como o que agora termina é um osso muito duro de roer para um cidadão atento aos sinais e necessariamente preocupado com o que os mesmos parecem anunciar. Até porque, vendo os eleitos da comunicação social nacional e internacional, indiscutíveis factualmente sem que sobre eles emitamos de juízos de valor, teríamos de seguir a manada e apontar Donald Trump como a figura do ano, em total contradição com a sensação profunda de que vivemos no meio da gigantesca instabilidade e incerteza que o dito trouxe consigo e fez recrudescer de forma por vezes assustadora e sempre grotesca. Ni hablar, pois...
No tocante ao nosso cantinho lusitano, as coisas não se me afiguram tão gravosas, obviamente. Mas, ainda assim, ter de apontar a mediocridade de Luís Montenegro – porque vencedor das eleições legislativas e primeiro-ministro reforçado – não me é confortável, atenta a agenda radical de aceno à extrema-direita que adotou e a sua presença arrogante e eticamente duvidosa no espaço público, em permanência assistido pelo “polícia mau” que nomeou (Leitão Amaro, o patriota cunhado de Ricardo Machado, aquela aparição feita empresário que o “Expresso” designou por “quase dono disto tudo”). Mesmo quando aparenta querer ser motivador, foge-lhe o pé para o sapato e o que desenvolve é um discurso despropositado e eleitoralista (a sua ideia de que não vê eleições até ao final do mandato é disto uma ilustração subliminar). Por uma vez, concordo com António Filipe, o candidato presidencial do PCP, quando afirma que “precisamos de salários valorizados, não de discursos motivacionais”...


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