A moda do hidrogénio, que neste espaço fomos denunciando com as devidas cautelas de não especialistas, tornou-se em pouco tempo uma demonstração cabal do modo de gerir as políticas públicas de alguns chefes de governo e respetivos acólitos na governação (uns mais culpados do que outros por se lhes reconhecer maior grau de responsabilidade). Entre 2020 e 2022/23, Costa não se poupou a proclamações e promessas sobre a matéria – que desconhecia no fundamental e apenas lhe servia para apresentar “números” vistosos – e, quanto mais ele falava, mais um dos seus protegidos (o desaparecido ministro Galamba) carregava no pedal milagroso. Tivemos estratégia nacional, nova reindustrialização, mudança estrutural da economia portuguesa e liberdade energética, entre outros visões anunciadas para um horizonte temporal não muito longo.
Passada a febre e a correspondente fobia, vinda a aterragem que a realidade necessariamente imporia, eis que a coisa não era bem assim (mesmo que haja especialistas a considerar que caberá um papel futuro ao hidrogénio nos caminhos da descarbonização) e que fomos levados a reprogramar em baixa os milhões previstos no PRR, a perceber que a tecnologia não estava madura, a assumir a megalomania do que se augurava e, pior ainda, a assistir à insolvência da grande empresa promotora que fora instalada em Benavente com a maravilhada anuência de Costa. O “Expresso” da semana passada deixava-nos a prova provada da evidência que políticos inconscientes foram incapazes de prever ou, pelo menos, acautelar: ambiciosos desbragados em ação e, no final das contas, algum dinheiro público perdido, menos 74% do investimento na criação de um vale de hidrogénio verde e uma perda de 89% da capacidade produtiva prevista em Sines – lamentável, to say the least!


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