domingo, 28 de dezembro de 2025

E DEUS CRIOU A MULHER …

 



(Mais um ícone da geração dos septuagenários que nos deixa, neste caso Brigitte Bardot, aos 91 anos. A sua presença na tela nunca foi equivalente à das grandes atrizes que já passaram por este espaço e o seu relativamente fraco rosário de prémios cinematográficos assim o sugere. Mas a sua natureza de símbolo do erotismo no cinema e de rebeldia numa sociedade francesa que demorou tempo a absorver a mensagem não pode ser-lhe retirada e com o seu desaparecimento é toda uma era de mulheres no cinema que se desvanece. A sua evolução como ativista da defesa dos animais, como criadora de uma Fundação destinada a servir esse ideal e posteriormente a sua aproximação ao partido de Marina Le Pen não vão ser as marcas pelas quais será recordada. O seu isolamento progressivo, cortando aos 39 anos com a pressão mediática de a que era permanentemente sujeita, sugere que não abraçou o seu próprio mito, pode caracterizar a sua distanciação face aos tempos em que a sua rebeldia emergiu. Mas enquanto a memória analógica e digital preservar a imagem que transmitia nas telas dos cinemas e nas capas das revistas, Brigitte será recordada para sempre como a mulher que inspirou comentários únicos de Roland Barthes, Jean Luc Godard ou mesmo Simone de Beauvoir.

Muito provavelmente com a morte de Brigitte Bardot é também uma França que se apaga, não sendo ainda visível que outra França lhe sucederá.

 

Sem comentários:

Enviar um comentário