(Hoje não é dia nem noite de grandes elaborações. Apenas a oportunidade de desejar aos nossos leitores e ao meu colega de blogue uma noite de Natal aconchegada no seio dos que nos são mais próximos. A distribuição e a geometria variável das famílias à medida que crescem nunca é a ótima, existe quase sempre a ambivalência do prazer de estar e a sensação da separação. À medida que envelhecemos e o tempo das empregadas já passou é cada vez mais difícil organizar os grandes ajuntamentos familiares. É uma espécie de dado natural, mas a coexistência da junção e da separação nem sempre é agradável. Este ano, filhos, noras e netos estão por cá, mas cunhados sobrinhas netas fazem a Ceia por outras paragens. O grande ajuntamento não é possível.
Mas a preparação de uma ceia tem opções e suscita sempre questões curiosas. Não tenho o desplante de vos mostrar como o fez o Nobel economista Paul Krugman no seu post de Natal as bebidas que irá partilhar esta noite. No caso de Krugman além de um whisky irlandês e um gin que não consigo identificar, surge o Dona Antónia Reserva, o que mostra que o Nobel é relativamente austero em matéria de Vinho do Porto.
A minha história é mais curiosa. Quando decidia o que iríamos beber de tinto, talvez um Castro Superior, acaso não surja alguma surpresa, dei com uma Pera Manca que alguém próximo me ofereceu creio que há cerca de 10 anos ou mais. Por curiosidade, pesquisei o valor atual de mercado que aquele ano do Pera Manca. Fiquei estarrecido. O valor estimado é astronómico para as nossas bolsas. E, como sempre, o mercado estraga as sensações mais genuínas. Aquele valor coloca-se uma nova questão: vou ou não beber aquele vinho? Pelo prazer da degustação, seguramente que sim. Mas se colocarmos na equação o valor do que vai ser bebido, a decisão de o beber já não é tão espontânea.
Sinceramente ainda não decidi.
Mas isso é outra conversa. O que sobretudo é desejar-vos o melhor Natal possível, qualquer que seja a geometria variável das famílias. Numa noite destas, ninguém, ninguém mesmo literalmente falando, deveria passá-la sozinho. Mas sabemos que esse é um voto pio.
Feliz Natal para todos.
Nota complementar
Sob a zelosa coordenação do Dr. Miguel Cadilhe e com textos iniciais do Presidente do Círculo de Estudos sobre o Centralismo Dr. Carlos Tavares, do Diretor do JN que editou regularmente os 60 artigos e do Professor Alberto Castro, está disponível a edição eletrónica dos 60 pequenos artigos publicados por associados do Círculo, entre os quais este vosso Amigo. A obra está acessível no sítio www.acec.pt. Mas está também disponível no portal do JN.


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