Acabaram os debates presidenciais, uff, já não era sem tempo! Sendo que, todavia, terminaram em beleza através de um muitíssimo disputado confronto – no verdadeiro sentido da palavra, diga-se! – entre Luís Marques Mendes (LMM) e o Almirante Henrique Gouveia e Melo (HGM). Apesar de não estar convencido de que os debates tenham o caráter decisivo que alguns lhes atribuem, a verdade é que este me despertou o que mais nenhum conseguira até ao momento: uma sensação algo confortável de que o país poderá não estar assim tão tresloucado quanto parece e poderá ir às urnas e nelas derrotar os arautos da “velha política” – de que LMM é o expoente principal –, para o que poderá afinal contar com um HGM que se afirma como plenamente capaz de o representar com a devida integridade e com o sentido de Estado que cumpre encontrar num Presidente da República (PR). De facto, HGM não é um tribuno nem um especialista em debate político, até porque não beneficiou para tal de anos e anos de experiência parlamentar e de tricas político-partidárias; mas, ao contrário do que insistem em sustentar os comentadores do regime, também não é disso que se faz um PR à altura do prestígio do País e das exigências dos tempos atuais mas muito mais se fará das suas caraterísticas de rigorosa independência e do seu reclamado e cuidadoso foco na definição de um rumo estratégico que tarda em ser traçado.
LMM, o “facilitador de negócios” ontem frontalmente denunciado por HGM, bem tentou balbuciar que ninguém o tinha acusado judicialmente de qualquer crime, esperando que tal pudesse chegar para fazer dele um inquilino decentemente aceitável para o Palácio de Belém e simultaneamente lançar uma cortina de fumo sobre o que foi a sua atividade não qualificante de toda a vida: a de consultor e abridor de portas aos ricos e privilegiados do sistema, matéria que poderá no limite não incluir ilegalidades mas que certamente o colocará em incontornáveis situações de conflitualidade de interesses perante o quadro de requisitos imprescindíveis a uma desejável bondade e eficácia do exercício presidencial a ocorrer.
Sendo também que, e nunca será demais salientá-lo, a corrida está ainda longe do seu término, as sondagens existem quase para todos os gostos (ainda ontem tivemos conhecimento de mais uma altamente contraditória face às divulgadas há quatro ou cinco dias atrás e incluídas num meu post recente), Ventura é um perigo à solta mesmo que apenas pretenda aceder à segunda volta para consolidar a sua inacreditável posição partidária (ainda ontem uma juíza corajosa o pôs em sentido quanto aos seus cartazes racistas contra a comunidade cigana), a questão de Seguro permanece um mistério insondável no que toca a uma certa nomenclatura do Partido Socialista, o vencedor continua muito longe de ser previsível e janeiro trará seguramente novidades de monta e em direções potencialmente inesperadas. Embora, a crer no que vimos no debate de ontem, o Almirante dá todo o ar de não ter renunciado ao seu objetivo e de estar bem pronto para as curvas.



Sem comentários:
Enviar um comentário