O ainda presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte comunicou ontem no espaço público a sua decisão de se candidatar a um novo mandato à frente da Instituição. Proclamando valores e posicionamentos que não lhe tinham ocorrido aquando do processo que o levou àquela presidência em 2020, na sequência de um arranjo partidário ocorrido entre o PS e o PSD, leia-se entre António Costa e Rui Rio. Foi então eleito da mesma forma desajustada e caricata que agora critica, em nome de uma independência e de um conhecimento do terreno que objetivamente não possuía, ao que acrescenta “cinco anos de resultados consolidados” que importaria evidenciar e demonstrar. À época, a soberba de um deslumbrado fez dele um proclamado milagreiro como nunca o Norte experimentara, à mistura com uma espécie de comandante de oportunistas pretensamente “iluminados” mas mais mestres em gestão de burocracia e redes de interesses do que em discernimento, sensatez e saber.
Cunha anuncia desta vez o apoio de 51 personalidades, concretizado num manifesto de recusa de “um delegado do Governo no Norte” e de defesa de um exercício “sem amarras partidárias ou de qualquer outro diretório”, onde gente de bem e com múltiplas provas dadas ao serviço da causa pública, em geral, e com responsabilidades de intervenção ativa na evolução histórica da questão regional, em particular – embora hoje manifestamente distanciada dos detalhes que marcam a complexa atualidade do tema em concreto (como Valente de Oliveira, Braga da Cruz ou Miguel Cadilhe) –, se junta a outra gente igualmente de bem mas completamente alheada do essencial que marca o passado e presente âmago das matérias em causa (como Alexandre Quintanilha, Tiago Brandão Rodrigues ou Artur Santos Silva).
E assim vamos até 12 de janeiro, a data fixada para que a votação de uns milhares de eleitos autárquicos aponte Cunha como um continuado vitorioso ou prefira dar lugar ao seu adversário (um tal Álvaro Santos que, após combinação entre Luís Montenegro e José Luís Carneiro, larga a sua recentíssima vice-presidência da Câmara de V.N.Gaia para vir prometer à Região “um novo salto qualitativo”, o que quer que isso possa significar). Poderia, e deveria talvez, ficar-me por aqui mas não resisto a deixar uma nota final declarando que, se por obra de um acaso inimaginável, tivesse de colocar uma cruz num dos dois males que se apresentam, acabaria certamente por me decidir pelo voto num Cunha mais experiente e menos partidariamente enfeudado, tudo aquilo que ele de todo não era em 2020.

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