(As eleições regionais ontem realizadas na Comunidade Autónoma da Extremadura, região em que o PSOE dominou durante largos anos, confirmam o declínio anunciado do PSOE, provocado por razões estruturais que atingem toda a esquerda, mas profundamente aceleradas por duas semanas horribilis para o governo de Espanha e o seu líder Pedro Sánchez. As eleições extremenhas tinham sido antecipadas porque a líder regional do PP María Guardiola farta da companhia do VOX ambicionava uma maioria absoluta, que não a teve. Perante o desastre do PSOE, com perda de dez deputados regionais face à última eleição, os 43% do PP extremenho sabem a pouco, pois viu o VOX aumentar o seu peso eleitoral de 5 para 11 deputados, podendo governar apenas ou com a abstenção do VOX ou com algum acordo parlamentar. Dos restantes resultados, apenas se justifica referência à subida da formação de esquerda Unidas por Extremadura, agora com sete deputados regionais, mas sem qualquer influência possível na governação regional. Uma outra formação regionalista extremenha, que aspirava a algum reconhecimento eleitoral, quedou-se pelos 4.000 votos e sem representação parlamentar.)
É sempre difícil retirar ilações de eleições autonómicas em Espanha, mas neste caso, perante uma vitória expressiva da direita, incluindo a extrema-direita e um PP a superar a votação de toda a esquerda, o declínio estrutural do PSOE dificilmente passa despercebido, que vem detrás, e que as atribulações referidas no meu último post sobre o assunto se limitaram a reforçar. Mas há quem retire destes resultados uma outra consequência, essa bem menos simpática para o PP de Feijoo – governar sem um acordo com o VOX será praticamente impossível, a não ser que o líder do PP concretize algum passo de mágica por agora desconhecido. Entretanto, com eleições em Aragão, Castela e Leão e Andaluzia no horizonte deste primeiro semestre de 2026 haverá tempo para confirmar se a Extremadura foi o farol antecipador do regresso da direita (e qual direita) ao poder em Espanha.
Nas condições atuais prevalecentes em Espanha, a situação de Sánchez e do PSOE não poderia ser mais difícil. A questão parece resumir-se apenas a uma questão de tempo: vai o Governo cair antes de 2027, seja porque falha o acordo parlamentar com os nacionalismos regionalistas e o SUMAR, seja porque o entorno da corrupção e dos casos de assédio sexual protagonizados por personagens do partido tornam a situação insustentável ou o PP terá de esperar por 2027 para em legislativas não antecipadas chegar ao poder?
O desempenho global da economia espanhola parece não ser já motivo suficiente para Sánchez se aguentar. Por outro lado, o argumento de que o PSOE é o único obstáculo possível à chegada do VOX ao poder está cada vez mais fragilizado e nada impede que, em eleições concretas, o eleitorado espanhol não ofereça ao PP a maioria absoluta necessária para contornar a influência da extrema-direita.
O cálculo antecipado de María Guardiola na Extremadura falhou, pois se é verdade que cavou mais fundo o declínio do PSOE e isso tem obviamente leitura nacional, não se viu livre do VOX. Teve mais um deputado, mas não impediu que o VOX chegasse aos 11, por isso terá de negociar alguma coisa com a formação política da qual pretendeu afastar-se. O que quer dizer que Trump tem mais uma formação política com a qual brindar os seus apoios de intromissão na vida política europeia.
É o que temos e aqui chegamos.


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