segunda-feira, 22 de maio de 2017

EQUILÍBRIO DE INFRAESTRUTURAS NA EURO-REGIÃO




(Na Voz de Galiciade hoje fala-se sem complexos de cerca de 1 milhão de passageiros galegos a utilizar o Aeroporto de Sá Carneiro, o que me levou a refletir sobre equilíbrios da utilização de infraestruturas de alto porte na Euro-região Galiza-Norte de Portugal)

A VOZ DE GALICIA cuja audição política na região vizinha é relevante assinala hoje o crescimento do aeroporto de Sá Carneiro e o peso crescente que os passageiros galegos estão a assumir nesse crescimento, aparentemente sem complexos de qualquer espécie. Depois de referir a incontornável relevância das low cost, designadamente da Ryanair, nesse crescimento, o jornal sentencia assim o êxito do Sá Carneiro: “a inexistência de ingerências políticas e de disputas localistas na programação de rotas e na expansão da infraestrutura aérea, assim como o empenhado apoio dos agentes empresariais e turísticos da Região Norte, com alianças que começam a consolidar-se com o tráfego de cruzeiros de Leixões, completam as razões para o aumento de utentes que a direção do aeroporto estima que possa alcançar em 2022 os 16 milhões de passageiros”.

Esta observação de fora da Região mostra que, salvo qualquer crise ou passo em falso (como o que Rui Moreira acabou por dar quando criou uma guerra sem sentido com o alcalde de Vigo, Abel Caballero) de agentes regionais, o aeroporto de Sá Carneiro cumpre paulatinamente o seu papel de principal infraestrutura de internacionalização da Região Norte, como o oportunamente identifiquei em alguns escritos dos anos 90. O aeroporto de Sá Carneiro é indiscutivelmente o aeroporto do Noroeste Peninsular, sobretudo porque os aeroportos de Vigo, Santiago e Corunha não se conseguem articular numa estratégia regional concertada contra o efeito estrela de Madrid. E não é porque Rui Moreira ou Abel Caballero o queiram reforçar ou contrariar que tal acontecerá. É a dinâmica de mercado, a comodidade dos galegos em tirar partido de uma fuga confortável à passagem por Madrid e sobretudo a atitude inteligente da Região que o determinou. Ponto.

Mas como é óbvio, numa Euro-região em que os localismos não vão deixar de existir terá de haver sempre um equilíbrio de importância relativa em matéria de grandes infraestruturas e de taxas de utilização das mesmas. Já que em matéria portuária não se adivinha algo de similar ao observado nas infraestruturas aeroportuárias, apesar do crescimento de Leixões e da maior destreza da sua comunidade de agentes portuários, será em meu entender em torno do comboio de alta velocidade que ligará a Galiza a Madrid que os galegos irão ter o seu fator de equilíbrio. O TGV galego será inevitavelmente o TGV do Norte na sua ligação a Madrid. Daí a importância do projeto de modernização total da linha ferroviária entre Porto e Vigo, de forma a articular o corredor atlântico galego Vigo-Corunha com a ligação em alfa pendular entre Porto e Lisboa. E não esqueçamos que a ser concretizada essa modernização isso vai acabar por aumentar a atratividade do próprio aeroporto de Sá Carneiro.

Continuo a ter dúvidas de que uma simples eletrificação e sinalização modernas da ligação entre Nine e Valença resolva o problema para viabilizar a circulação de um Alfa pendular que prolongará a sua viagem de Lisboa até Vigo. Em meu entender e ouvindo alguns especialistas, serão necessárias melhorias infraestruturais, pequenas intervenções na linha, que não vejo o governo português assumir com clareza. Não perdi totalmente a esperança de ver da minha varanda de Seixas para o Coura e para o Minho passar o Alfa Pendular a caminho de Vigo e também de fazer a partir de Valença a ligação ao TGV para uma escapadela em Madrid.

A Euro-região ficaria infraestruturalmente mais equilibrada com o nosso aeroporto a ser balanceado com o TGV galego, não deixando de reforçar também a sua atratividade para contornar o efeito estrela de Madrid. Pode ser futurologia. Mas a atratividade do Sá Carneiro já não é.

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