Cumprem-se hoje e amanhã as formalidades (velório e apresentação de cumprimentos por parte dos partidos políticos e missa de corpo presente celebrada por Marcelo em Belém perante os “senadores” do país) associadas ao falecimento ontem ocorrido do governo de Luís Montenegro.
Como já tive oportunidade de aqui dizer, foi penoso o espetáculo a que se assistiu, especialmente pela forma capciosa como o PSD encenou o “dei-te quase tudo” do debate da moção de confiança de que ele próprio (ou o seu governo) era proponente – aquela sucessão de momentos (Montenegro a dispor-se a suspender a sessão por alguns dias para esclarecer Pedro Nuno como, quando e onde este indicasse; Hugo Soares a propor suspensão da sessão por 30 minutos para que os dois líderes conversassem; Núncio a solicitar uma hora de paragem na sessão para ver o que ainda seria possível conseguir, sendo ao que parece uma hipótese avançada pelo PSD a de uma CPI que apenas durasse 15 dias e logo depois a extensão do respetivo prazo até 31 de maio).
Dividem-se os analistas quanto à questão de se saber se Montenegro estava literalmente à rasca e com as calças na mão, embora fazendo esforços para não perder completamente a face, ou se o primeiro-ministro só pretendia tentar mostrar à saciedade aos eleitores que “fizera de tudo” para não pôr em causa a estabilidade vigente. Mas duas coisas são certas: as sondagens ontem divulgadas (ver sínteses abaixo, provenientes do CM e do DN) indiciaram um PSD em queda junto dos portugueses e as notícias em torno de práticas pessoais e empresariais duvidosas por parte de Montenegro continuam a sair a conta-gotas e a contribuir para queimar a sua imagem de credibilidade em lume brando.
Quase que aposto que não faltarão variações de monta em relação a quaisquer temerosas previsões que possam fazer-se quanto ao que nos espera nestes próximos dois meses. E, assim sendo, terá de prevalecer a máxima dos “prognósticos só no fim do jogo”. Com a probabilidade maior a residir em três tipos de cenários após o enfrentamento dos “três pássaros” abaixo caricaturados por António: uma vitória pequena de Montenegro e um remake da atual situação (com o PS a navegar nas suas próprias contradições internas e “obrigado” a validar a solução); uma vitória pequena do PS, afastando-se então Montenegro e surgindo em recuperação e ascensão o protagonismo sebastianista de Passos e os desejos de poder de Ventura; uma vitória um pouco mais folgada do PS, determinando um afastamento de Montenegro e uma recomposição da liderança do PSD num sentido moderado (não passista) e a correspondente validação de um governo minoritário socialista; isto sem exclusão, por razões que hoje consideraria de vício académico, da hipótese de uma maioria absoluta do PSD (Rangel assumir-se-ia um mago da política e tornar-se-ia ainda mais cheio de si!) ou a de uma vitória ao sprint do “Chega”. Os próximos movimentos de uns e de outros ditarão as tendências mais passíveis de concretização e, portanto, a “morte do artista” de uns e a “vã glória” de outros.



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