terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O DELCY-PROTETORADO AMERICANO NA VENEZUELA

 


(Lamento, mas a matéria está a transformar-se em obsessão, impregnando todas as antecipações possíveis em matéria de geopolítica. No meio de toda esta desordem que o Grande Organizador da Política Feita Negócio precipitou, o que me deu mais gozo, um pouco sádico, admito, foi a desorientação da barata tonta em que a direita espanhola do PP se transformou. São conhecidos os negócios menos claros do PSOE com o regime de Maduro e lembro-me especialmente de um episódio no aeroporto de Barajas, em que a agora presidente interina Delcy Rodriguez se viu envolvida com umas malas de conteúdo estranho, disseram as más-línguas locais que se tratava de lingotes de ouro. É também conhecido que Zapatero se assumiu sempre como o negociador preferencial das autoridades venezuelanas, o que sugere confiança e proximidade com o regime de Maduro. Foi neste contexto que Nuñez Feijoo salivou de contente, antecipando que o golpe de Trump iria destapar uma Caixa de Pandora, acossando ainda mais Pedro Sánchez, depenando-o até ao tutano das suas inúmeras contradições. O problema é que Trump e Rubio cedo deram conta ao mundo que o que movia o ataque era o cheiro do petróleo e não propriamente a purificação democrática da Venezuela. Perante a incredulidade da direita espanhola que acolheu solícita o asilo de Edmundo González em Madrid, vencedor de facto das últimas eleições na Venezuela e alter-ego de Maria Corina Machado, Trump e Rubio afastaram secamente a hipótese de Corina Machado assumir o poder, com duas desculpas esfarrapadas: Rubio alertou para que Corina Machado estava fora do país, como se não tivessem sido os Serviços Secretos americanos a viabilizar a sua fuga e a sua deslocação a Oslo; o próprio Trump foi mais longe, referindo que Corina não tinha nem o apoio nem o respeito do país. Feijoo engoliu em seco, pois a escolhida para a entretanto combinada transição para o protetorado foi precisamente a senhora das malas em Barajas, Delcy Rodriguez. O Grande Organizador da Política Feita Negócio não brinca em serviço e percebe-se que Delcy quis apenas salvar a pele e o pescoço, negociando o protetorado de acesso ao petróleo venezuelano.)

Claro que a barata tonta da direita do PP tem em parte o seu equivalente no fofinho comunicado do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, que teria à sua disposição um mar de alternativas para marcar a defesa e proteção da vasta comunidade portuguesa na Venezuela diferente de transformar o golpe de Trump numa manifestação válida da defesa da democracia.

A história está cheia de processos penosos em que a fraqueza perante a força teve consequências trágicas. É simplesmente de arrepiar a fraqueza com que o mundo se prepara para enfrentar o Grande Organizador da Política Feita Negócio.

Quanto tempo vai durar o protetorado americano na Venezuela? O Nobel de Corina Machado parece pairar na má vontade de Trump relativamente à democrata venezuelana e é patético o gesto da premiada em querer oferecer o seu galardão ao próprio Trump.

Pior do que isso, quanto mais tempo durar o protetorado e o saque petrolífero mais forte se torna a hipótese de uma guerra civil na Venezuela.

 

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