sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

QUEM SOBREVIVERÁ AO 18 DE JANEIRO? (V)

 
(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt

Para fecho deste longo exercício, decido-me por arriscar dois palpites especulativos, e para alguns compreensivelmente provocatórios, assentes em pressupostos que a minha cabeça de analista amador me indica como contendo algum grau de razoabilidade.

 

Trata-se, em primeiro lugar, de uma hipótese plausível de ganho de dinamismo da candidatura de Seguro, seja porque os responsáveis do PS a ela têm vindo a aderir em crescendo, mesmo que pouco entusiasticamente, seja porque o eleitorado à esquerda tenderá a nela concentrar um voto útil cirúrgico, que poderá até vir a ser reforçado por uma eventual desistência do candidato Jorge Pinto. E trata-se, em segundo lugar, de uma outra hipótese que não excluiria (wishful thinking?) e segundo a qual o eleitorado de Ventura poderá não estar tão firmado quanto generalizadamente se admite, seja porque alguma parte dele atingiu a saturação perante a postura agressiva e contraditória de Ventura, seja porque outra parte dele tende a encontrar em Gouveia e Melo traços políticos satisfatoriamente próximos dos que o levaram ao voto no Chega. Estas duas hipóteses surgem retratadas no quadro abaixo, o qual evidencia que, no primeiro caso, Seguro poderia ganhar confortavelmente (ficando Mendes e Ventura em confronto aberto para a segunda volta) e que, no segundo caso, Gouveia e Melo sairia à frente (com Seguro e Mendes em confronto aberto para a segunda volta). Deliberadamente afastei a hipótese não inverosímil de um reforço de Mendes, que me parece, contudo, mais improvável do que as duas escolhidas, seja pela figura em causa e pela crescente assunção do seu estatuto de lobista profissional, seja pela sua ligação quase umbilical ao governo de um Montenegro que as pessoas começam a considerar necessitado de algum contraponto por forma a evitar abusos de poder que já se (pres)sentem.

 

DUAS VARIAÇÕES ESPECULATIVAS


Um mix igualitariamente ponderado destas duas situações surge retratado no novo quadro de resultados reproduzido mais abaixo. Fruto de uma validação simultânea dos dois pressupostos acabados de enunciar, o mesmo dá conta de um novo resultado em que são efetivamente Seguro e Ventura que saem com benefício e com prejuízo, respetivamente. Assim sobraria a dimensão especialmente positiva associada ao afastamento do candidato populista, enquanto a escassa vantagem de Mendes em relação a Gouveia e Melo não parece completamente suscetível de fazer descansar o candidato do PSD face à relativa proximidade do Almirante, assim mantendo em aberto o tipo de choque final com que se teria de deparar Seguro.



Iniciei este conjunto de posts perguntando: “Quem sobreviverá ao 18 de janeiro?”. As voltas dadas ao longo dos exercícios realizados terão eventualmente permitido alguns acrescentos às convicções e impressões de quem a eles aceder. Na parte que me toca, misturando aritméticas objetivas q.b. com subjetivismos admissíveis, cheguei a Luís Marques Mendes na segunda volta e a uma probabilidade forte de a mesma vir a acontecer contra António José Seguro, assim colocando precisamente frente-a-frente os dois candidatos mais do sistema. Sendo que, verdade verdadinha, a única resposta hoje inequivocamente apropriada àquela questão é “não sabemos”...


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