Programara voltar hoje à minha tracking, sobretudo após a divulgação de uma sondagem presidencial da Católica que integra elementos relevantes. Mas a leitura das notícias do dia leva-me a optar por preferir aqui dar conta do populismo à solta que se respira no seio das autoridades do nosso País. A história relata-se em poucas palavras: ao abrigo do mecanismo de solidariedade do Pacto de Migrações e Asilo da União Europeia, que entrará em vigor a 12 de junho, 18 Estados-membros obrigaram-se a contribuir com uma quota a definir pela Comissão com vista ao acolhimento de 21 mil migrantes requerentes de asilo que se encontram em centros de acolhimento dos quatro países mas pressionados em termos migratórios (Itália, Espanha, Grécia e Chipre); coube a Portugal uma quota de cerca de 2%, equivalente ao acolhimento de 420 daqueles migrantes, mas o nosso Governo optou por declinar tal acolhimento em favor de uma contribuição financeira de 8,44 milhões de euros para um novo fundo de apoio em criação no quadro europeu. Ou seja: o respeitinho é muito lindo e Montenegro, sempre acolitado pelo inenarrável Leitão Amaro, preferiu não dar abébias ao “Chega”, nem arriscar qualquer motivo de potencial hostilização com Ventura, declarando-se sem capacidade para receber requerentes de asilo e assim “assumindo compromissos financeiros” (leia-se desembolsando uns milhões) como “única forma de cumprir as regras europeias de solidariedade” – é de sublinhar que tais milhões chegariam para integrar as 420 pessoas em causa, cuja honorabilidade terá sido obviamente avaliada e validada pelas autoridades europeias, e em moldes mais do que aceitáveis (nos planos da localização geográfica, da formação profissional e da aprendizagem da língua, designadamente) e que ainda sobraria certamente um troco não negligenciável. Mas a cedência submissa ao populismo falou mais alto...

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