Continuando o exercício sobre as Presidenciais que elaborei e aqui venho descrevendo, recordo que ficou visto que, à luz dos pressupostos adotados (quer para a definição do peso das diferentes áreas políticas, quer para as transferências de voto mais prováveis entre elas e os respetivos candidatos a elas mais afetos), a proximidade das votações nos quatro principais candidatos é grande e causadora de uma imprevisibilidade fundamental. Importará, por isso, procurar explorar outros cenários que, dotados de maior mutabilidade e mais discrepâncias relativas face ao cenário-base ou às suas variações à margem, permitam alcançar quadros de apuramento potencialmente diferenciados.
Nesta perspetiva, avaliei quatro tipos de possibilidades subordinadas a critérios que, contendo necessariamente alguma dose de subjetividade, se fundam em racionais relativamente sólidos como serão os que conferem predominância a dinâmicas de favorecimento de cada um dos quatro candidatos mais reconhecidos para uma passagem à segunda volta, a saber: a) uma maior fidelização do eleitorado da AD em torno de Mendes e alguns ganhos adicionais marginais por parte deste; b) uma maior fidelização do eleitorado do PS em torno de Seguro; c) uma consolidação ainda mais marcada da base eleitoral de Ventura; d) uma hipótese em que Gouveia captaria eleitores um pouco de todas as áreas.
Em concreto, eis os principais contornos que definem cada uma das referidas possibilidades:
a. uma maior fidelização do eleitorado da AD em torno de Mendes, acompanhada de alguma captação de eleitores da Outra Direita, ocorreria certamente a expensas de Gouveia, Cotrim e Ventura (por ordem decrescente) e traduzir-se-ia por uma débâcle do Almirante, uma vitória folgada de Mendes à primeira volta e uma disputa taco-a-taco da segunda volta entre Ventura e Seguro;
b. uma maior fidelização do eleitorado do PS em torno de Seguro ocorreria igualmente a maiores expensas de Gouveia e Melo, determinando provavelmente uma nova razão de débâcle para o Almirante, uma vitória folgada de Seguro à primeira volta e uma disputa taco-a-taco da segunda volta entre Ventura e Mendes;
c. uma consolidação acrescida da base eleitoral de Ventura – que não apenas reteria 95% da sua base adquirida como também lograria “pescar” na AD, no PS, no PCP e, ainda, mais largamente na Outra Direita, novamente em especial detrimento de um Gouveia cuja expressão se reduziria de forma quase humilhante – e, em caso de uma manutenção de Mendes e Seguro nas suas piores percentagens anteriores, beneficiaria também colateralmente Cotrim, a ponto de o poder colocar em níveis eleitorais passíveis de uma disputa (com Mendes e Seguro) do lugar de segundo mais votado;
d. por fim, uma hipótese em que fosse Gouveia a captar eleitores um pouco por todas as áreas (com destaque para valores na ordem dos 25% na AD e dos 30% no PS), colocá-lo-ia com facilidade numa segunda volta, a ser disputada em competição mais provável de Seguro com Marques Mendes.
No cômputo geral, as quatro possibilidades acima redundariam em desenlaces do tipo dos ilustrados no quadro reproduzido mais abaixo, cada uma delas favorecendo visivelmente, e em termos sucessivos, um dos quatro candidatos tidos por principais favoritos e, ad latere que não desprezivelmente, revelando também uma situação de pendor positivo no sentido de validar as pretensões otimistas do outsider Cotrim de Figueiredo.
QUATRO TIPOS DE VARIAÇÕES DIFERENCIADAS


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