sábado, 10 de janeiro de 2026

UM MANICÓMIO GERIDO PELOS MALUCOS!

(Ben Jennings, https://www.theguardian.com)

 

Num dos podcasts que costumo frequentar, o “Comissão Política” do Expresso (passe a publicidade), um jornalista que aprecio pela sua independência (João Pedro Henriques) afirmava com inteira propriedade que tudo se passa na atualidade como se vivêssemos num manicómio gerido pelos malucos – uma imagem que diz realmente tudo sobre o que se nos vai deparando e deixando tão estupefactos e atordoados quanto perturbados e angustiados.



Estimo suficientemente os nossos leitores para os poupar à enumeração – aliás humanamente impossível... – do conjunto de atoardas, provocações, manifestações de ignorância e declarações hilariantes ou inconcebíveis que diariamente nos chegam de Donald Trump e de alguns dos seus obedientes e temerosos apaniguados. Fico-me pelas do dia de ontem em que, para além de uma cambalhota em relação à malévola apreciação que emitira do presidente colombiano e de umas imitações grotescas e de péssimo gosto de Emmanuel Macron, se mostrou agradado com a ideia de lhe ser oferecido por Corina Machado o Nobel da Paz que recebeu e admitiu gratificar cada gronelandês com até mil dólares para que seja aceite a anexação da ilha pelos Estados Unidos da América. Tudo meras cismas descontroladas, algumas por demais assustadoras, do maluco-mor!

 

Por cá, o jogo é de outro campeonato e apenas nos leva, pelo menos para já, para o domínio do incroyable mais vrai que passava na televisão nos meus tempos parisienses. Não sem que algumas realidades sejam verdadeiramente elucidativas do caráter dos protagonistas. Querem uma ilustração? Veja-se Luís Montenegro cheio de si a anunciar em pleno Parlamento, durante o debate quinzenal, uma fantástica compra de 275 viaturas para o INEM -como sempre, “a maior de sempre” – e veja-se seguidamente a embaraçante denúncia de que afinal se trata de uma aquisição prevista desde 2023 e decidida pelo governo de António Costa; já para não falar do “animal de companhia” de serviço, um cidadão que nunca regateia uma saída em defesa do “Chefe” (Leitão Amaro), a vir declarar que o mérito só pode estar do lado de quem paga a conta, este governo pois claro!



Também da campanha eleitoral nos chegam em abundância motivos demenciais ou de pasmo perante atrevimentos exacerbados, mas guardarei um post próximo para abordar algumas dessas perplexidades. Não resisto, todavia, a deixar um aperitivo associado ao modo como Ricardo Araújo Pereira explorou a peregrina ideia de Marques Mendes de ir convidar um jovem – quem, como e para quê? – para integrar o Conselho de Estado, afirmando perante a prevalecente demagogia do “vale tudo”, et pour cause, que sente idêntica falta de ruivos e de carecas na composição do referido órgão...

 

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