(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)
Prossigo o exercício ontem iniciado com uma tentativa de interrogar os pressupostos anteriormente assumidos quanto às transferências de voto dos partidos para os candidatos, modificando-os em termos relativamente marginais para cima ou para baixo. Assim, e como se observa na parte a. do quadro abaixo que contempla a hipótese de a fidelidade atribuída às bases e simpatias partidárias ser aumentada (em 5 pontos percentuais para todas), o maior prejudicado é Gouveia e Melo (que, não tendo base partidária, perde relativamente para todos), enquanto os restantes três se mantêm em empate técnico (com vantagem para Mendes e ganho ligeiro de Seguro sobre Ventura, o que redundaria numa segunda volta bem mais emocionante do que qualquer outra em que venha a participar o líder do Chega); a parte b. do quadro, por sua vez, corresponde à hipótese rigorosamente simétrica de diminuição da fidelidade atribuída às bases e simpatias partidárias em 5 pontos percentuais e resulta em quebras para Mendes e Seguro e num favorecimento de Gouveia e Melo, que passaria a ser adversário de Ventura (ou de um Mendes em ligeira desvantagem sobre o representante da extrema-direita) numa segunda volta.
Deste modo, as variações introduzidas no cenário-base confirmam claramente quanto a referida fidelidade partidária do eleitorado condicionará o desfecho final da primeira volta. Com efeito, duas grandes conclusões emergem até aqui: os candidatos oriundos dos partidos mais marcantes do sistema político só passarão à segunda volta se conseguirem fixar uma fração relevante dos seus eleitorados tradicionais, valor que se poderá estimar em torno de um mínimo de 60%; Ventura é o mais provável candidato a marcar presença numa segunda volta (ou contra Mendes ou contra Gouveia) se os candidatos ligados à AD e ao PS só conseguirem fixar uma fração dos seus eleitorados tradicionais inferior a 60%.
Amanhã haverá mais a dizer...


Sem comentários:
Enviar um comentário