quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

QUE RASTO DEIXARÁ DAVOS 2026?

 

Não foi certamente o novo look de Macron que acalmou o imperialismo descocado de Trump, ontem em Davos largamente centrado na questão da Gronelândia (foi impressão minha ou a personagem confundiu aquele piece of ice com a Islândia?). Bem, dizer que acalmou é certamente uma declaração arriscada, tal é a variabilidade estonteante do posicionamento do presidente americano sobre o que quer que seja. Em todo o caso, aquilo a que assistimos naqueles inigualáveis 70 minutos foi a um Trump sempre narcísico perante uma plateia que não deixou de mostrar a sua subserviência, mais ou menos cínica, ao “chefe da banda” mas também um Trump algo mais comedido e cauteloso do que lhe é habitual.

 

Não sabemos se a explicação desse comportamento está nas sondagens internas que o mostram em perda abissal de popularidade, na resistência que vai sentindo por parte de vários republicanos no Congresso, nas eleições intercalares que se aproximam, nas reações nervosas dos mercados ou nos aspetos negativos da situação económica com que o briefam. Ou se ademais alguém lhe terá explicado que a Europa – o que quer que isso seja ou queira dizer, mas que com toda a certeza será qualquer coisa diversa das lisonjas de Rutte – terá afinal algumas munições que podem tocar nos seus interesses próximos e parece finalmente disposta a agir nesse sentido.

 

O facto que importa por hoje é que Trump diminuiu a arrogância, baixou a tensão e adiou o confronto, evidenciando assim a covardia de um fraco que adora disfarçar-se de forte. Nunca fiando, contudo, porque está na natureza do “bicho” um inevitável surgimento de próximos capítulos nesta rocambolesca e perigosíssima novela de baixo nível – en garde, pois...

 

(Idígoras y Pachi, http://www.elmundo.es)


(Ricardo Martínez, http://www.elmundo.es)

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