sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

TRÊS FILMES

Na última semana e meia vi três grandes obras cinematográficas, todas com forte pendor histórico e de intervencionismo cívico. A primeira, “Nuremberga”, relata-nos de forma pujante os meandros do julgamento do nazismo, com realização de James Vanderbilt e um magnífico Russell Crowe a vestir a pele de Hermann Göring. A segunda, “O Agente Secreto”, mergulha de forma brilhantemente realista no Brasil da ditadura militar e conta com um ator de primeira grandeza (Wagner Moura) e uma realização de excelência (Kleber Mendonça Filho), tendo já atraído a atenção da Academia que atribui os Óscares deste ano através de várias nomeações (melhor filme e melhor ator, designadamente). A terceira, “A Semente do Figo Sagrado”, é uma muito bem conseguida e inquietante ilustração da atual situação política e social iraniana e das suas implicações na esfera familiar, dirigida por um nacional emigrado na Europa (Mohammad Rasoulof).

 

Impossível não ligar estes três trabalhos a um passado que importa nunca esquecer (para alguns) e dar a conhecer (aos mais novos) e a um presente que parece querer recuperar bocados da miséria humana então vivida, a um continente americano que sofreu amargamente a carga de ditaduras militares sanguinárias e que volta agora a surgir em viragem para convulsões autoritárias sob o alto patrocínio do seu mais importante vizinho a norte, a uma sociedade constantemente impedida de explorar os seus recursos (nos tempos do Xá e da agressividade do imperialismo americano) e de exprimir as suas potencialidades (neste quase meio século de Estado teocrático e repressivo).

 

Quando impera a qualidade artística, nas suas múltiplas manifestações, e a ela se soma uma componente que apela aos lados mais profundos da nossa condição de cidadãos do mundo, ficam indiscutivelmente reunidos os ingredientes necessários a darmos por bem empregue, e ganho, o tempo assim utilizado.

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