(Para desanuviar o futebol é sempre um bom escape, sobretudo quando há capacidade de o viver com um equilíbrio entre paixão e racionalidade, como é o meu caso. Tenho de convir que nos últimos tempos tem sido mais um equilíbrio entre desilusão e racionalidade, dispensando-me de explicar essa evidência. Mas não há dúvida de que não pode ficar-se indiferente à vitória de ontem em Alvalade do Sporting sobre o Paris Saint-Germain, campeão europeu, dada sobretudo a disparidade de potencial económico, não de entusiasmo clubista, já que os lagartos estão em alta e com o ego a explodir. O resultado é sobretudo surpreendente porque a primeira parte foi um amasso dos antigos, tal a teia de pressão alta que os franceses operaram sobre a saída de bola dos leões. A asfixia a que a construção de jogo por parte do Sporting foi sujeita gerou um conjunto espantoso de oportunidades de golo a que os leões foram escapando, não sendo compreensível como é que uma equipa de topo como o PSG é capaz de falhar tanta oportunidade. Na segunda parte, o panorama permaneceu o mesmo até que o Sporting marcou, com resposta rápida dos franceses, a que se seguiu no fim a estocada letal de Trincão e a cabeçada providencial de Suarez, quem é que se lembra em Alvalade de Gyokeres? Tudo isto é possível com a ajuda preciosa do treinador Rui Borges, uma surpresa na reinvenção de utilização de um plantel, com parcimónia de valores de contrato, mas com uma pontaria de visão de mercado que importa registar. A comparação com o outro lado da Segunda Circular é desastrosa nessa matéria para os encarnados. Shame on us.)
Rui Borges é uma espécie de patinho feio da comunicação social desportiva, que aprecia ou os talentos comunicacionais como os de Ruben Amorim ou de José Mourinho, particularmente a agilidade argumentaria deste último, mas também a sinceridade do primeiro. Essa mesma comunicação social aprecia também a novidade de Farioli, não tão efusivo na comunicação, mas de uma segurança de mensagem que é pouco comum em Portugal.
Ao contrário de tudo isto, o homem de Mirandela pode ser considerado um desajeitado em termos comunicacionais. Mas a sua capacidade de reinventar um plantel, perseguido por toda a ordem de lesões, colocando jogadores de baixas expectativas como Fresneda, Yoannidis, Mateus Reis ou Allison a carburar para lá do esperado é obra que não se confunde com os talentos comunicacionais.
Em suma, desajeitado, mas letal e a equipa mostrou-o ontem com toda a evidência.
Lagartos, desfrutem que isto pode não durar sempre.
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