Estes negociadores e facilitadores, sobretudo quando são mais do que meros amadores do lóbi de bastidores como o infeliz do nosso Luís Marques Mendes, representam o que há de mais gravoso para a descredibilização dos regimes democráticos. José Luis Rodríguez Zapatero, ex-primeiro-ministro espanhol e socialista encartado, dedicou-se a servir o “chavismo” venezuelano com incomensurável afinco e, certamente, chorudos ganhos pessoais. O fenómeno das “portas giratórias” entre a política e os negócios continua a ser uma chaga que resiste à passagem do tempo, seja aos alegados ou sérios esforços em nome da transparência através de incursões legislativas e regulatórias seja ao voyeurismo e criticismo de que é alvo nas opiniões públicas.
Mas a coisa fia mais fino quando aos interesses pessoais assim favorecidos em termos notoriamente injustificáveis à luz de critérios razoáveis de avaliação do respetivo contributo para a criação efetiva de valor (uma boa ilustração é a do nosso Durão Barroso na Goldman Sachs, mas há centenas ou milhares de outros casos na sua essência equivalentes) acrescem serviços que tresandam a indecência e devem merecem, por isso, mais do que algum grau de desagrado, um escrutínio escrupuloso e uma clara rejeição social. É o caso da relação que Zapatero estabeleceu com a ditadura venezuelana, de há muito denunciado mas sem grande eficácia punitiva, como o foi e é o das ligações do ex-chanceler alemão Gerhard Schröder ao regime assassino de Putin, entre outros que também não escasseiam por esse mundo fora. Sendo que os populismos radicais se alimentam desta gente e, por isso, todos temos a obrigação de encarar sem quaisquer contemplações estas situações egoístas e despudoradas que tanto degradam a harmonia do nosso bem-estar coletivo.



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