(Na sequência de mudanças observadas ao longo do ano de 2025, que colocaram Nuno Reis e Nuno Galopim na direção e sub-direção da Antena 2, esta estação minha cúmplice das filas intermináveis no tráfego quando não posso quedar-me em teletrabalho apresentou no início deste ano uma nova grelha de programação. Não tenho a pretensão de formular um juízo crítico acabado sobre a valia da nova grelha de programação, mas devo registar que se nota algum arejamento, com destaque para o programa de Mafalda Serrano da tarde (uma das mais belas vozes da rádio clássica e uma presença de rara sobriedade) e para o fim de tarde entre as 17 e as 19 a cargo de António Pires Veloso. Creio que a nova grelha de programação se tornou mais atualizada e informativa do que vai sendo editado em música clássica, as sínteses informativas parecem-me ajustadas a uma rádio clássica, mas falta-nos alguma coisa no Programa da Manhã. O caos de inteligência que Paulo Alves Guerra colocava no seu Império dos Sentidos empolgava qualquer um, era impossível ficar indiferente ao ritmo e á diversidade cultural que aquele programa apresentava, sendo responsável por uma das mais conseguidas divulgações do Portugal cultural mais moderno. Nunca foi prestada a devida informação e o esclarecimento cabal do desaparecimento do programa e do seu autor. André Cunha Leal bem se tem esforçado com a sua inequívoca cultura musical clássica em manter o programa matinal da Antena 2 em bom nível. O programa está mais focado na divulgação musical, está mais ligado transversalmente à restante programação, veja-se o caso do compositor do mês, Mozart em janeiro, e não está de modo algum em causa a competência e a sabedoria musical de André Cunha Leal. Mas aquele ritmo fervilhante com que Paulo Alves Guerra desfiava, um termo que só ele poderia usar, os acontecimentos da programação cultural, incluindo obviamente a música, foi-se não sabemos se para sempre e isso demonstra uma enorme falta de respeito pelos ouvintes fiéis daquele Programa.)
Não sou obviamente daqueles que se afoga na inércia da não mudança. As grelhas de programação não são eternas e, já o escrevi, a nova grelha é interessante e até mais escorreita e criativa. Mas o Programa da manhã das sete às dez era outra coisa, tinha um ritmo por vezes de inteligência caótica, sendo impossível ficar ensonado com os para e arranca do tráfego, e era feito com uma sensibilidade enorme à programação cultural de um país mais moderno e diferente e sobretudo não limitado aos prazeres da corte.
Há dias, numa passagem do programa agora de André Cunha Leal, lembro-me de ter escutado uma troca de impressões, já não sei sobre que tema, entre Nuno Galopim, subdiretor da Antena 2 e Paulo Alves Guerra. Pareceu-me que este último aparecia com a voz afetada, imagino produto de um surto gripal qualquer. Será que o intrépido jornalista esteve ou está doente? Espero que não e que a sua ausência do programa matinal seja o resultado de uma sucessão normal e exploração de novos rumos e não de um estúpido e cego afastamento.
Registei que muitos outros ouvintes partilharam a sua interrogação nas redes sociais sobre a substituição ou o afastamento de Paulo Alves Guerra do programa matinal da Antena 2. Isso mostra que se sentem defraudados pela ausência de explicações.
O programa matinal continua a existir e até posso reconhecer que do ponto de vista da divulgação musical em sentido estrito o André Cunha Leal dá conta do recado.
Mas não é a mesma coisa. Todas as manhãs a sensação de vazio está lá a pedir uma explicação que não chegou.

Estou completamente de acordo com este comentário que subscrevo a 100%. Mas é a falta de explicações sobre a razão para o afastamento de Paulo Alves Guerra que é preocupante e revela total falta de consideração pelos ouvintes de um programa de quase 20 anos, assim como pelo jornalista incrível que é Paulo Alves Guerra. Não se encontra uma palavra de louvor ou de agradecimento em lado nenhum, mesmo na suposição de que se tenha reformado ou esteja eventualmente doente.
ResponderEliminar