Hoje estamos em reflexão. E o que não me sai da cabeça é o Almirante Gouveia e Melo. Porque ele acabou por constituir, a meu ver, o maior game changer destas eleições presidenciais. Dirão os inteligentes que o homem deu demasiados saltos nas posições que foi defendendo ao longo de todo este período e assim poderá ter sido de algum modo, mas a verdade é que se tratava de um candidato politicamente inexperiente que foi obrigado a um complexo learning by doing e que ele acabou por se revelar diligente e suficientemente sólido na maioria das suas prestações declarativas e propositivas, fazendo com que a relativa desconfiança com que o encarei à partida fosse sendo substituída por uma crescente admiração. Por outro lado, o Almirante “matou” Marques Mendes no debate havido entre os dois, um momento que os comentadores do sistema classificam de sujeira e que eu reputo de definitivamente clarificador ao expor a chico-espertice do candidato da AD de pretender esconder a sua profissão de facilitador de contactos e negócios e a sua dependência do poder instalado. Neste sentido, o contributo do Almirante ficará para a pequena história deste processo, aliás bem mais do que o oportunismo tático com que Cotrim serviu o seu prato de modernidade com o liberalismo deixado à porta que se adicionou em menor dose na ajuda ao afundamento de Mendes (que será menor do que se anuncia, digo eu). Por fim, e neste justo seu-a-seu-dono dedicado ao Almirante, uma nota ainda para o seu recado do último dia em que, embora visando captar alguns votos a Seguro, alertava com inteira propriedade que vamos assistir na segunda volta a um “grande bloco à direita” a apoiar Ventura contra os “malefícios” do socialismo. Os meus respeitos, Senhor Almirante!


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