Recorro a Angus Maddison, um vulto da história económica há pouco falecido que dedicou toda uma vida d

Um breve parêntesis para valorizar a perspectiva desafiante com que Maddison – cujos

Cotejo, então, de modo sucinto dados quantitativos organizados por Maddison e bem elucidativos das dinâmicas produtiva, populacional e de nível de vida à escala global e de longo prazo. Primeiro para ressaltar óbvias diferenças de monta quando comparados os dois milénios [(i) e (ii)], depois [(iii) a (vi)] para mais algumas constatações sugestivas:
(i) à pequena quebra do rendimento mundial per capita até 1000 – apenas acomodando um moderado crescimento populacional de 20% – contrapõe-se o seu forte crescimento subsequente (multiplicação por 13, para um factor 22,7 na população), sobretudo após a Revolução Industrial;
(ii) aos valores que aproximavam os países ricos e pobres há 1000 e 2000 anos contrapõe-se um significativo incremento das desigualdades de rendimento na actualidade (diferencial da ordem de 7 para 1);
(iii) a Ásia, que representava cerca de ¾ da população mundial no ano 1 da era cristã e pouco menos em termos de produto (com Índia e China a valerem em torno de um terço e um quarto dos totais mundiais) e ainda andava nos 68 a 71% em 1820 (com 37% de chineses e 28% de produção indiana), conta hoje com menos de 60% da população do planeta (17 e 20% para Índia e China) e apenas 37% do PIB global (5 e 12%);
(iv) a Europa Ocidental decai populacionalmente para 6,5% do total actual após um rácio largamente estável (de 11 a 13%) durante dezanove séculos, o que contrasta com um peso produtivo a subir de 14 para 23% até 1820 e a cair depois para 20,5%;
(v) EUA e Japão, com expressão apenas relevante nos dois últimos séculos, observam registos populacionais inversos (de 1 e 3%, respectivamente, em 1820, para 4,7% e 2,1%) e notórios saltos produtivos (de 2 e 3% para 22% e 7,3%);
(vi) América Latina e África conhecem evoluções menos favoráveis pois que, após um bom primeiro milénio (de 10% para 15 a 16% da população e do PIB), aquela regride até 1820 (2,1% dos totais) e depois recupera parcialmente (8,5% dos totais) enquanto esta definha até hoje (14% da população e pouco mais de 3% do PIB).
Não há, assim, nem vantagens perenes nem lugares cativos nem hierarquias asseguradas. Se bem que os recursos (naturais ou adquiridos) contem, o caminho faz-se caminhando, de preferência sabendo-se a direcção pretendida – buscar na compreensão do passado lições para o presente e rumos para o futuro pode ajudar…
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