sexta-feira, 12 de outubro de 2018

EFEMÉRIDE


Cumprem-se neste dia 50 anos desde a abertura dos Jogos Olímpicos do México, os mais emblemáticos e marcantes de que há memória. E não o refiro apenas pelo entusiasmo com que a minha juventude de então recebeu cada momento daquele certame desportivo ocorrido numa capital mexicana situada a quase 2300 metros de altura, num cenário de incerteza política (escassos dez dias após o massacre de Tlatelolco) suscetível de agravar as já de si duvidosas expectativas quanto à capacidade organizativa dos responsáveis mexicanos e num desafiante contexto global (Vietname, Maio de 68, Primavera de Praga, assassinatos de Luther King e Robert Kennedy, guerrilha latino-americana, etc.). O certo é que tudo correu pelo melhor e que as prestações dos velocistas e saltadores americanos superaram recordes, alguns de modo assombroso (quem não se lembra dos 8,90 metros de Bob Beamon no comprimento, excedendo em 55 centímetros a anterior marca mundial?), sem prejuízo dos feitos notáveis de outros atletas (dos africanos nas provas de fundo aos 100 metros pela primeira vez abaixo dos 10 segundos de Jim Hines, da afirmação do icónico salto Fosbury ou às ginastas de Leste). Mas a dimensão e a imagem que ficou para a posteridade foi a do Black Power, bem sintetizado naquele pódio dos 200 metros em que os negros Tommie Smith e John Carlos, de luvas pretas nas mãos, ergueram os seus braços direito e esquerdo contra o racismo. Simplesmente arrepiante e inolvidável!

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